Guia de sobrevivência ao frio para preguiçosas

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Eu resisti a escrever um texto sobre esse assunto – tempo, clima, tá-frio-né-menina – porque acho que soa como small talk, e se tem uma coisa que eu odeio e não sei fazer na vida é small talk.

Mas, como tenho percebido que muita gente tem sofrido com esse frio que tem feito aqui nas regiões sul e sudeste nos últimos tempos, resolvi compartilhar as minhas dicas de sobrevivência a temperaturas abaixo de 20º (qualquer temperatura em que tenho que usar uma brusinha de manga comprida já considero frio).

Infelizmente me vejo obrigada a bancar a hipster do frio para dar continuidade a este texto, visto que: eu já sofria com outono/inverno antes de ser modinha. Eu lembro do inverno de 2010, em que andava pela paulista com mais roupas do que dedos nas mãos e o termômetro marcava 8º. Eu tenho aquecedor desde 2014, quando nem fez tanto frio e eu fazia homeoffice (ou seja, edredom 23h por dia, largando apenas para tomar banho e eventualmente comer).

Mais importante que isso, eu vivenciei um “outono de raiz” no hemisfério norte, quando morei em Nova York. Esse é o parágrafo em que você pode pegar uma bolacha e voltar depois porque vou ser meio insuportável, sim, mas a questão é que a experiência de morar em NY durante o mês de novembro (um novembro rígido, com neve e tudo) foi uma prova de fogo pra quem morria de medo de frio. Aprendi a dosar a quantidade de roupas, a usar as roupas certas, a usar certos truques, e, por que não, deixei de ser um pouco trouxa depois de me ferrar tanto com as temperaturas baixas.

Depois disso, para mim o pior do frio é a preguiça que ele causa para a gente conseguir cumprir tarefas básicas do dia a dia. Por isso vou contar aqui algumas táticas que eu uso contra mim mesma pra driblá-lo e seguir com a vida na medida do possível (porque tem certas coisas que ficam impossíveis mesmo; falaremos delas mais para frente):

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1. Compre um aquecedor
Eu não poderia reforçar mais esse tópico (mentira, não só posso como vou): COMPRE UM AQUECEDOR. OU INSTALE UM SISTEMA DE AQUECIMENTO CENTRAL SE VOCÊ TIVER CONDIÇÕES. E ME CHAME PARA MORAR COM VOCÊ SE TIVER MESMO.

Sério, a gente passa mais frio no Brasil do que em lugares mais gelados porque ninguém leva a sério que de 15º pra baixo já precisa de aquecimento. O aquecedor muda sua vida. Ele deixa tudo mais tolerável, confortável e bonito. Eu juro.

Existem diversos modelos no mercado, eu sugiro que você pesquise qual está dentro das suas expectativas e economias. No meu caso, comprei o mais barato que tinha porque a grana tava curta, e para um ambiente pequeno ele quebra um galho (é portátil, paguei R$ 80). Adquira logo seu novo melhor amigo, o aquecedor.

Indicado para temperaturas abaixo de: 15º, em média.

2. O segredo são as camadas
Para estar bem quentinha no frio, é bom, sim, ter casacos pesadões, tricôs aconchegantes e botas. Sem tirar a grande importância deles, vamos dar o close certo na roupa certa: a blusinha de malha. Aquela mesmo, que custa R$ 20 e você compra em qualquer Carrefour, Torra Torra ou loja barata de sua preferência. É claro que existem níveis de blusinha de malha, existem melhores e piores. Mas, qualquer que seja, essa é a peça mais incrível de todas.

A blusa de malha pode ser a primeira ou a segunda peça mais próxima do seu corpo (depois de uma segunda pele se você preferir – também é uma ótima escolha). Ela não esquenta propriamente, mas já ~prepara o terreno~ para as blusas de lã. Pode reparar, se encher de blusa de lã não dá o mesmo resultado de ter pelo menos uma blusa de malha por baixo.

É claro que também não adianta se estufar de blusa de malha. Você ficará parecendo algo tipo isso:

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Uma ou duas já ajudam. Isso se chama se vestir em camadas: peças de materiais diferentes (ou várias peças) que se complementam e você pode ir tirando ao longo do dia se precisar. É uma evolução de quando a gente ia de pijama por baixo do uniforme da escola. A roupa ficava toda torta, mas funcionava.

Há também a famigerada “roupa térmica”. Eu comprei uma “blusa térmica”, que coloco entre aspas porque pra mim é apenas uma blusa de malha de um tecido bom; talvez eu não conheça os paranauê que a fazem “térmica” ou talvez o pessoal da loja apenas quis valorizar o produto. Vale o investimento? Acho que sim, mas com a consciência de que milagre não faz. Vai de camada que é sucesso.

Indicado para temperaturas abaixo de: 20º.

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3. Luvas e meias
Vou ser curta e grossa aqui: luva de lã? Não adianta. Luva que deixa os dedinhos de fora? A não ser que seja uma homenagem a Ana Maria Braga 90’s, não adianta. Luva de pelúcia e tecidos fofos em geral? Não adianta. Luva de couro? Adianta.

As luvas de tecidos que deixam passar ar, ou umidade, ou não são claramente impermeáveis, não vão bloquear o frio de forma eficaz. As luvas de couro hoje são tão acessíveis quanto (qualquer loja de departamento tem) e prestam um serviço muito melhor. Existem também as “luvas de motoqueiro”, que é como meu pai chama e eu não sei o nome do material, só conheço por esse apelido mesmo. O tecido é ainda mais potente, mas elas perdem no visual. Como dificilmente teremos temperaturas extremas aqui no Brasil, acho que as luvas de couro já dão para o gasto.

Diz que existem ainda as luvas de couro com antiaderente nos dedos, pra você poder usar o celular e escrever sem precisar tirá-las. Se você souber onde comprar, compartilha com a colega aqui!!!1!!!

Quanto a meias, não sou a melhor pessoa para falar sobre meias de lã porque meus pés suam muito e eu geralmente me sinto bem só com uma meia básica. Mas sou grande entusiasta das meias calças.

Em seu acervo de meias-calças, é sempre bom ter pelo menos uma nova, uma antiga, uma do fio mais grosso possível (chamam de legging já, mas ainda é meia calça) e uma fio 40. Porque assim você pode fazer combinações no dia a dia.

A meia velha, você já deve ter deduzido, é aquela que você usa por baixo – de calça, de legging, de outra meia-calça. É aquela que já tá cheia de bolinha, talvez desfiada, mas ainda tem seu valor. Já a meia nova, também fácil de deduzir, é a que pode ser exposta. Pode ser tanto a fio grosso quanto a fio 40 (que quando estiver mais frio você coloca por cima da meia velha e ninguém percebe seu truque). Mas sinto que esse parágrafo foi meio óbvio e tô com vergonha de ter subestimado sua inteligência; próximo tópico.

Indicado para temperaturas abaixo de: 10º ou 15º.

4. Compre um aquecedor.
Sério.

5. Acessórios
Você já teve a sensação de que o topo da sua orelha está tão congelado que se ele caísse você provavelmente não sentiria? Eu já, não é legal. Por isso compensa investir em alguns acessórios.

O cachecol foi um item que ignorei durante anos com a desculpa de “não sei dar laço”. Aí veio o Pinterest e o frio de -10º C que peguei em NY e a desculpa foi pro saco. Ele protege o peito, o pescoço, o rosto, o nariz, as orelhas, os ombros, o que você quiser; ninguém aqui julgará. Indico fortemente um infinity scarf do tecido mais grosso que você encontrar. Dá vontade de encostar a cabeça nele (que estará enrolado no seu pescoço) e dormir traquilamente. Comprei o meu na Forever 21.

Falando em lojas, recomendo ficar de olho nas gringas durante o inverno de lá. A própria Forever coloca nas araras aqui do Brasil roupas de inverno no verão e vice-versa, e a gente faz cara de “que absurdo”. Mas aí chega o frio e a gente (no caso eu no momento) se arrepende de não ter comprado aquela tiara de lã (não sei o nome disso) em janeiro mesmo.

Para proteger as orelhas, ouvi dizer que a Daiso tem protetores bem legais se você, assim como eu, não consegue usar touca (o negócio esquenta, cai, esqueço em lugares em que nunca mais voltarei). Isso sem dizer que casacos com capuz: ❤ ❤ ❤ ❤

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Indicado para temperaturas abaixo de: 15º.

6. Como sair da cama no frio
Esse é meu maior problema com outono/inverno desde que sou obrigada a sair da cama de manhã cedo. Aos 8 anos eu já era truqueira: colocava o uniforme por baixo do cobertor. Demorava uns 20 minutos a mais pra me arrumar? Demorava. Teve influências na minha vida adulta? Não, então segue em frente.

Na adolescência, além de ir de pijama, eu também já dormia de meia (algo que odeio e não sei como conseguia). Hoje, tudo ficou melhor com o aquecedor, o que nos leva a:

7. Compre um aquecedor.

Vou passar agora minha receita para ter manhãs de frio menos traumáticas:
– Escolha a roupa na noite anterior, com a previsão do tempo em mãos
– Coloque as roupas em uma banqueta/cadeira do lado da sua cama, pra não precisar levantar da cama para buscá-las (eu não tava brincando quando escrevi preguiçosa no título)
– Acorde 5 minutos antes e ligue o aquecedor (que já deve estar perto da cama também) de frente para as roupas
– Assim, quando você tiver que levantar mesmo, elas já estarão mais quentinhas
– Se quiser levar o aquecedor para o banheiro ou para a cozinha com você também, só Deus pode te julgar.

Indicado para temperaturas abaixo de: 15º, em média.

8. Lavar o cabelo no frio
Se você tem bastante cabelo ou cabelo de médio a comprido, vai entender a dificuldade do que estou falando. A preguiça de tomar banho no frio é real, mas a preguiça de molhar e ter que secar todo o cabelo é multiplicada por 300.

Até agora não achei muito o que fazer, a não ser já deixar o secador no banheiro quando vou tomar banho. Assim, logo que saio do chuveiro, dou um tempinho (ainda sob o vapor quente) e logo já começo a secar para não enrolar e perder ainda mais tempo na sofrência. Tem sido menos traumático, e o ar quente do secador ajuda a tirar o embaçado do box e do espelho. Como diria a finada Hannah Montana, it’s the best of both worlds.

Indicado para temperaturas abaixo de: 15º.

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9. Cuidados básicos com a pele
Com tanto ar quente em ambientes frios, a pele pede socorro. Demorei a aceitar que era necessidade extrema passar hidratante, principalmente no rosto e nas mãos. Claro que aprendi só quando deu merda: meus dedos ficaram machucados em NY e ano passado peguei uma dermatite fortíssima no rosto. E, quando disserem que o frio queima, acredite: já fiquei com a cara tostada depois de sair sem protetor solar em um “calor” de 12º.

Se você, assim como eu, tem problema de pele sensível e alergia, indico fortemente o creme hidratante Pro-Calm, da RóC, que acalma peles irritadas. É barato? Não é, mas é melhor do que ficar com o visual involuntário de um pimentão. Hidratante para as mãos e protetor solar também são coisas de que, mesmo sendo preguiçosas, não temos como fugir.

Indicado para temperaturas abaixo de: qualquer temperatura, na real.

10. Compre um aquecedor.
Sempre bom lembrar.

Só pra fechar, apesar de todas essas medidas de prevenção contra o sofrimento no frio, ainda há coisas que não consigo encarar nesses tempos. São elas:
– Sair para festa à noite se tá menos de 10º
– Comer só salada ou pratos frios

Se tiverem dicas, compartilhem. Sobrevivência ao frio tem limite, esses são os meus.

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Elsa, miga, como pode???

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Apenas uma breve consideração sobre amizade

Só um pensamento aqui que tá louco pra sair de dentro de mim.

(vocês também acham meio babaca essa humanização das coisas? “Vish, o pensamento tá puto, não quer mais ficar comigo, segura essa opinião, ela está descontrolada” eu acho meio babaca, mas uso mesmo assim)

Outro dia eu estava no metrô e tinha umas três pessoas conversando, acho que duas mulheres e um homem. Eles eram mais velhos, uns 40, 50 anos. Enfim. Em certo ponto da conversa (sim, eu ouço conversas alheias no metrô (inclusive tenho um projeto sobre isso. Eu também leio mensagens das pessoas no celular quando possível. É divertido, às vezes também é assustador), eles começaram a falar sobre amizade verdadeira.

  • Amizade verdadeira não acaba. Dura pra sempre. Se acaba, não era verdadeira.

Na minha opinião humildona, eu acho sinceramente que seria muito mais saudável para todos nós se essa ideia fosse desconstruída.

Mais uma vez na minha opinião humildona, amizade acaba, sim. E não quer dizer que não era verdadeira.

Os amigos permanecem nas nossas vidas enquanto fazem sentido. Enquanto te fazem bem, enquanto te divertem, enquanto vocês têm assunto, enquanto são prioridade, enquanto vocês gostam de ter a companhia um do outro. E isso pode acabar.

Você é aquela mesma pessoa que se formou na oitava série e sonhava em ir pra Porto Seguro na formatura do terceirão? Você é a mesma pessoa que apagava scrap, que dizia que o filme preferido era Um Amor Para Recordar, que comprava sandália da Xuxa? Talvez você seja, não te conheço, mas vou arriscar que não. Porque as pessoas mudam, é normal, é natural, é preciso. E não é uma coisa ruim só porque às vezes as pessoas crescem em direções diferentes.

Nos últimos anos eu perdi duas, quase três amizades que eu tinha há mais de quinze anos. É difícil aceitar que vocês não se empolgam mais um com o outro, não “aprovam” as escolhas um do outro, não são mais fundamentais na vida um do outro. Mas é mais difícil ainda tentar forçar – não funciona, 300% frustração na sua vida. O esquema é praticar o let it go e seguir em frente.

Amizade acaba, sim, e não quer dizer que não era verdadeira. Era, até que parou de fazer sentido. E quem sabe um dia volte. A gente nem sempre sabe pra que sentido tá indo.

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Um exemplo de amizade que fazia muito sentido ❤

 

Vivendo em sociedade e tentando não ser um estorvo

Eu ainda me considero uma pessoa “jovem” em relação a bastante coisa. Tenho 24 anos e ainda consigo, por exemplo, sair à noite em dia de semana e trabalhar no dia seguinte, ir em festivais de música por mais de um dia seguido, entender gírias da internet. Acho que aqueles papos de “ai, tô muito velha pra isso” não me atingem muito. Mas tem uma coisa em que eu percebo que estou cada vez mais velha, rabugenta e sem tolerância: a vida em sociedade.

Não sei se é porque eu trabalhei em casa por quase dois anos da minha vida e fiquei um pouco afastada do contato com pessoas. Sei que tem certas coisas que as pessoas fazem em público que me fazem questionar por que a gente tem aula de química no colégio mas não tem aula de “como se comportar quando tem mais gente ao redor”.

Por exemplo, uma dica para me deixar muito puta é parar em frente a uma escada. Se for na frente de escada rolante então, nossa. Eu geralmente sou uma pessoa bem contida e só amaldiçoo alguém em pensamento, mas juro, nunca estive tão perto de dar uma trombada, uma bronca em voz alta ou fazer a Nazaré e empurrar a pessoa sem querer escada abaixo. E tem muita, muita gente que faz isso.

O mesmo vale para parar na frente de uma fila SEM ESTAR NA FILA. Ninguém gosta de ficar esperando numa linha única para fazer alguma coisa, é um tempo que você perde no seu dia sendo quase 100% inútil. Aí vem um ser humano e para lá só porque quer, porque não tá percebendo que tá sendo um estorvo pra todo mundo. Nesse caso eu confesso que já bufei (que palavra horrível, “bufei”) pra uma senhora que estava na fila do kilo sem estar na fila propriamente. Só tava lá casualmente mexendo no celular. Ela saiu e melhorou o fluxo, mas minha vontade mesmo era de ter afogado a cabeça dela dentro do molho do macarrão. As vingadoras vão no trá.

Vou confessar que na maioria das vezes não passa pela minha cabeça que a pessoa que tá lá, claramente empatando sua tentativa de se locomover, resolver suas coisas e seguir sua vida, pode estar perdida, sem saber o que fazer. Tenho uma amiga que é do interior e que não se tocava que na cidade grande a gente anda rápido, não para no meio do caminho e muito menos na frente da escada, na saída do metrô.

Ninguém tá livre de se ver perdido em um lugar que não costuma frequentar ou de viver uma situação nova em um lugar público. Ainda assim, nada me tira da cabeça de que viver em sociedade é uma coisa básica que a gente deveria aprender desde muito cedo – às vezes não é tão difícil. Esperar as pessoas saírem do trem ou do elevador para só depois você entrar. Cara, é muito mais fácil esperar. Sério, raciocina um pouco. Precisava de anúncio do governo pra ensinar isso?? Mesmo assim, é muito comum ver gente de diferentes idades, diferentes poderes aquisitivos e diferentes histórias de vida fazendo a mesmíssima cagada.

Recentemente eu entrevistei a Glória Maria. Ela estava falando sobre racismo, e disse que o mundo está cada vez mais feio, mais burro, porque as pessoas se esquecem de olhar para o outro. Ficam tão entretidas fazendo selfies e postando em seus perfis nas redes sociais que não olham para as outras pessoas ao redor.

Eu concordo 100% – 200% se possível. É claro que a gente vive em uma sociedade caótica e que problemas e acidentes podem acontecer. Mas, pensando na regra e não na exceção, conviver com outras pessoas em lugares públicos sem ser desagradável me parece uma simples questão de entender que não estamos sozinhos no mundo e que, a princípio, todos merecem respeito. (Com a princípio eu quero dizer que gente como o Bolsonaro provavelmente não merece muito respeito, mas eu espero nunca encontrar com este senhor em lugar algum, então vamos seguir)

Se você se olha tanto no espelho, saiba que a sua bela figura ocupa espaço. Se você quer chegar rápido naquele encontro, não se esqueça que as outras pessoas também têm seus próprios compromissos. Se o papo com aquela pessoa no celular tá tão importante, não empaca no caminho – anda logo pra estar junto dela.

Eu falo essas coisas para o meu pai, que é 29 anos mais velho que eu, e ele dá risada. Eu fico indignada, como pode levar esse tipo de situação com tanto bom humor. Talvez varie entre cada um.

Lidar com pessoas não é fácil, especialmente com aquelas que a gente não pediu pra estar próximo mas é obrigado. Então vamos só tentar continuar vivendo e não nos atrapalhando mutuamente, por favor? Já tô velha pra essas coisas.

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Decidi ser mais “menininha” por um ano e foi isso que aconteceu

Não me entenda mal, eu acho que sempre fui menininha. Quer dizer, eu nasci com uma vagina e ela tá aqui até hoje, então devo ser membro vitalício dessa categoria.

O menininha que eu quero dizer é quando sua mãe ou alguém que acha que tem alguma influência sobre você fala que você tem que se arrumar mais, se “empetecar” mais, parecer mais feminina, mais mulher, mais bonita, mais elegante, tudo isso junto.

Quando você não tem naturalmente um interesse por coisas e assuntos relacionados a aparência, rola uma pressãozinha pra entrar mais nesse mundo. Essa pressão pode vir – olha só que coisa – até de você mesma.

No começo de 2015, eu não estava na minha melhor fase. Tinha acabado de voltar de um intercâmbio e estava sem muita perspectiva de felicidade tanto na vida pessoal quando na profissional. Passei o mês de janeiro em casa, meio na depressão, descontando muitas vezes na comida. Resultado: 7kg a mais do que eu costumava ter.

Depois de ver as fotos desse período, resolvi que, se as mudanças na carreira e nos relacionamentos não dependiam só de mim, a mudança no meu corpo era a aposta mais certa a fazer.

Não rolou nenhuma resolução, nenhuma meta muito definida, mas de fevereiro de 2015 a este fevereiro de 2016, passei a ser mais “menininha”. A seguir, um pouco sobre as experiências que tive nesse período:

  • O primeiro e mais urgente passo era emagrecer. Comecei a tentar fazer dieta, passava toda semana no mercado e comprava coisas light. Gastava uma grana violenta, mas adorava comparar as calorias. Aliás, baixei um aplicativo que contava as calorias de tudo e dizia que, pra perder os kg que eu queria no tempo que eu queria, eu devia comer 1.100 kcal por dia. Esse negócio das calorias pode deixar a gente realmente meio bitolada (até hoje eu sei, por exemplo, que 10 uvas contêm 40 calorias).

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  • Comecei também a fazer academia. Eu sempre fui a pessoa que fugia e matava aula de educação física, então academia nunca pareceu uma ambiente muito legal de estar – ainda mais quando tem que pagar outra grana violenta pra estar lá. Acordava 6 da manhã, ia para as aulas, ia até duas vezes no mesmo dia.
  • Também me inscrevi na aula de pilates com o objetivo principal de: ficar durinha (um objetivo muito válido, por quê não?). Mas acabei achando as aulas fracas e tinha muita preguiça de ir toda semana. Sabe aquela coisa que você tem que se arrastar pra ir mesmo odiando só porque seu ascendente em capricórnio fica te lembrando que você pagou por essa bosta? Então.

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  • Agora é o momento em que eu te decepciono e digo que: projeto emagrecimento não funcionou. Na dieta, eu comia super pouco em um dia, me sentia orgulhosa. No outro dia, desandava, comia muito de algum doce e voltava ao mesmo peso. Mesmo com a academia, perdi um ou dois kg em 6 meses.

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  • Talvez a ansiedade tenha atrapalhado nesse processo. Eu tinha uma viagem marcada para a California em junho e queria ficar magra pra aparecer bem nas fotos. Não cheguei exatamente a este objetivo, mas mesmo assim tenho fotos que amo ❤
  • De volta de viagem e sem perspectiva de colocar biquíni tão cedo, as coisas começaram a andar melhor. Voltei pra academia, dessa vez fazendo só o que era mais confortável pra mim: aula de step e correr na esteira. Ia todo dia de manhã, me sentia bem.

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  • Voltei pra dieta também, dessa vez com uma técnica diferente: toda vez que pensava em comer demais ou comer algo que era muito gorduroso, eu pensava: eu quero mesmo comer isso e continuar mal com meu corpo? Ficava mais fácil dizer não. Também passei a comer mais salada e cortei a sobremesa (coisa mais difícil da vida).

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  • Olha só que coisa: dessa vez deu certo. Emagreci 4kg em um mês, dava pra sentir as roupas não mais apertadas. Os outros kg perdi sem nem notar. Não tô recomendando nada, não sou especialista, que fique bem claro. Apenas um relato pessoal.

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  • Continuando na transformação em “menininha”, comecei a investir na depilação à luz pulsada. Depilação é sempre um saco, mas pra quem tem pele facilmente irritável como a minha e não gosta de deixar os pêlos aparentes, é um milagre de Deus. Ok que é um dinheiro que eu poderia estar gastando com mil coisas mais legais. Ainda assim acho que compensa. Tô bem louca? Não sei.

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  • A surpreendente relação custo-benefício de beleza continua. Resolvi fazer progressiva. Eu tenho cabelo cacheado e não odeio, mas também não uso. Não acho prático, tenho muito cabelo, não quero lavar todo dia, não quero arrumar todo dia, não quero. Sou obrigada? Pra minha surpresa, muita gente achava que sim. Fui meio repreendida por amigas que achavam um absurdo eu não assumir meus cachos, ficar fazendo química. Entendo que hoje a gente conseguiu chegar em um ponto em que quem tem cabelo cacheado ou crespo tem muito mais orgulho do look natural, e isso é maravilhoso e certíssimo. Mas é errado eu escolher a praticidade em detrimento da minha genética capilar? Achei que não. Fiz e retoquei e tô bem satisfeita.

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  • Em 2015, usei mais salto no dia a dia do que em toda minha vida. Quer dizer, saltos de uns 5cm, mas já foi uma mudança. Usei sandália de saltinho pra ir pra balada e não senti dor no tornozelo (senti dor pelas 3 bolhas que ela me fez, mas vida que segue, bandaid na próxima vez).

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  • Tentei usar mais vestido e saia, nem que fosse só pra ir trabalhar. Um dia saí com um vestido rosa meio rodado, recebi elogios e até consegui um date com o cara que era meu crush. Coincidência? Não sei. Ótimo custo-benefício para um vestido que paguei R$ 30 na Forever? Com certeza.

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  • Passei a usar mais maquiagem no dia a dia. Sempre passei batom e um lápis no olho pra sair de casa, mas comecei a usar também primer, corretivo e às vezes um CC cream todo dia. Deu ruim: minha pele é sensível e seca, e eu não tava cuidando direito. Tive uma dermatite de contato fortíssima, minha cara ficou rosa durante dias, bem horrível. Fui obrigada a maneirar, deixar a make de lado por um tempo e investir em produtos pra saúde da pele.

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  • Aliás, comprar cremes e produtos para a pele era uma coisa que eu considerava supérflua e que vi que pode ser muito, mas muito necessária e benéfica. Demaquilante, hidratante, esfoliante e repelente são coisas que eu nem ligava e acabei incorporando forte na minha rotina.

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  • Pra terminar, sempre evitei ir em manicure/pedicure porque 99% tenho preguiça, prefiro dormir, e 1% tenho alergia a esmalte (sério, é uma sensação tensa, coça o rosto inteiro). Fui algumas poucas vezes para fazer o pé e gostei bastante. Quando fui fazer a mão, a manicure machucou TODAS as minhas cutículas e a situação tá péssima até agora.

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Enfim, ao final desse um ano, mudei mais do que eu poderia prever. Quando você é uma mulher mais desapegada desses valores de aparência, mais estilo Docinho das Meninas Super-Poderosas, às vezes rola uma tendência a acreditar que você é melhor que as outras por causa disso, que você tá melhor dentro da sua fortaleza de mulher durona.

Eu sou a prova de que às vezes não tá. Dentre as minhas experiências, algumas eu descarto totalmente, (como fazer a mão em salão ou contar todas as calorias ou passar muita maquiagem). Mas não porque são erradas. Não quero na minha vida porque não deram certo pra mim nesse momento, tô melhor sem isso. Outras me fizeram muito bem (como a depilação, a atividade física e a progressiva), quero manter e não me sinto inferior por assumir isso.

Acho que o que mais vale a pena ressaltar é que ser “menininha” não é (ou não deveria ser) o fator determinante nessas medidas em relação a aparência e nas resoluções que a gente toma pra tentar se melhorar. O que importa é a saúde do organismo e a auto-estima. E meio que só isso.

Portanto, aquele “isso que aconteceu” lá do título foi que eu não tenho uma opinião formada, um estilo definido ou uma posição consolidada sobre ser menininha ou não. Por mim cada um pode ser menininha, desleixadinha, hominho, ETzinho, o que quiser. Sendo de boa com o corpo que habita já tá ótimo.

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Será que um dia a gente deixa de ser trouxa?

Esses dias, estava eu trabalhando em meus freelas num sábado à noite, genuinamente feliz por estar trabalhando (já que estava sem dinheiro, sem celular e com garoa lá fora), e entrei no Facebook pra dar um tempo entre um texto e outro. Me lembrei de uma época da minha vida em que eu era meio apaixonadinha (tô sendo bem leve aqui, leia-se que a situação era mais grave eu tenho vergonha de admitir) por um cara. Eu tinha um sério medo de descer a timeline de notícias do Facebook e ver alguma foto dele 1) na balada, 2) numa balada que a gente costumava frequentar e sem ter me chamado ou 3) numa balada que a gente costumava frequentar, sem ter me chamado e com outra menina à tiracolo.

Esse era um temor que acontecia todo fim de semana em que a gente não se via, e durava desde a noite do sábado até a noite de domingo, com picos naquela primeira checada na timeline na manhã de domingo. Pior, era um temor que se concretizou algumas vezes.

Hoje, anos depois dessa fase, olhando minha timeline muito casualmente, lembrei disso e achei engraçado. Achei “que bom que o tempo passa”. Achei “que bom que a gente vê que nem era tudo isso”. Achei bom que agora posso ver minha timeline sem preocupações (inclusive a timeline tava bem vazia nesse sábado, acho que só eu tava online sendo inútil).

Mas daí, escrevendo sobre isso no Twitter (eu sempre falo groselha no Twitter antes de escrever mais amplamente aqui, me segue lá!), entendi que na verdade eu não tinha medo das fotos. Mais do que isso, eu tinha medo de sofrer e de fazer papel de trouxa. Aqui, em casa, enquanto ele tava lá, sem nem lembrar da minha vil existência.

O que eu não contei ainda é que, além de estar trabalhando e escrevendo este post aqui nesta madrugada gelada de sábado, eu também estava ouvindo “XO” na versão do John Mayer. E me peguei pensando num cara com quem eu tive o casinho mais breve da minha vida esse ano. Que nem é do mesmo país que eu. Que nem mora no mesmo país que eu. Mas que me deixou imaginando como poderia ter sido.

Ou seja, eu achava que tinha deixado de ser trouxa (pelo menos um pouquinho, vai). Mas acho que não. O amor realmente é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxa, e olha que às vezes nem amor é e nasce mesmo assim.

Será que um dia a gente deixa de ser trouxa? Vira o que depois disso? Blasé ou de boas com a vida? Quem acha que não é mais trouxa vive em negação ou realmente sobe um nível na humanidade (tipo Hércules, vira semi-deus)?

Eu sei lá. Criei aqui uma teoria de que, uma vez emitido, a gente nunca perde nosso papel de trouxa. O que acontece é que de vez em quando ele fica lá, guardado num arquivo, até ser transferido pro cartório de outra pessoa. E aí, quando dois trouxas decidem que tudo bem ser trouxa um com o outro, eles vão lá num juiz e pedem para o papel de trouxa virar lei.

E assim vivem. Oficialmente trouxas.

Ou então, quando a gente deixa de ser trouxa, a gente vira a Beyoncé

PS: Escrever esse post me lembrou essa música. Leia ouvindo e seu nível de trouxismo chegará próximo do meu.

Algumas coisas que aconteceram comigo durante uma viagem à California

Passei 15 dias fazendo uma road trip pela California com duas amigas. A seguir, algumas coisas que aconteceram comigo por lá durante esse período:

– Meu celular morreu. Na verdade isso foi no avião de volta ao Brasil, mas enfim. Meu celular descansa em paz.
– Tive que parar com minhas amigas de madrugada num posto pra calibrar os pneus. Das 3, quem sabia fazer isso: nenhuma. Quem pode dizer que aprendeu: nenhuma, mas tamo aí na atividade.
– Saí um dia em San Francisco com temperatura 12 graus e queimei a cara toda E o couro cabeludo.


– Tentei passar corretivo na testa e no nariz pra ver se melhorava a cor. Não deu muito certo.


– Cheguei num bar numa sexta às 22h e avisaram que tava fechando.


– Tomei uma caipirinha feita por um americano e nem tava ruim.


– Conheci uma russa que me reconheceu como brasileira antes de eu falar e que já tinha passado um Carnaval no Rio.


– Conheci um australiano que queria que eu fosse passar um tempo com ele em Denver, Colorado.


– Fiquei sabendo que minha pronúncia de palavras em turco é boa (um oferecimento deste nariz turco falso aqui).


– Uma menina de Chicago me chamou pra ir numa festa em que o Chris Brown era tipo o rei do camarote.


– Reencontrei minha vizinha da infância por acaso no mesmo quarto de hostel.


– Me apaixonei por uma cidadezinha chamada Mariposa, com aproximadamente 5 ruas e uma pizzaria ótima.


– Em quatro dias, vi (ou tentei ver) a premiere de três filmes e um programa de TV em LA.


– No mesmo período de tempo, a moça da sorveteria já me reconhecia e me tratava como miga.


– Dirigi ao som de “America” de Simon & Garfunkel e “Go Your Own Way” de Fleetwood Mac.


– Matei a saudade do meu verdadeiro amor: Ben & Jerry’s sabor Red Velvet.


– Concluí que teria muita preguiça de dirigir muito pra ir pra qualquer lugar em LA. Mas até encararia as ladeiras de San Francisco se pudesse morar numa daquelas casinhas.


– Encontrei uma cidade pra chamar de minha: Gorda, California 
(mas só depois de NY 😉 )

Bem ridículo, mas só de olhar uma imagem assim já dá saudade

Como sobreviver ao Dia dos Namorados sendo solteira

Vou confessar uma coisa: eu nunca brinquei de Dia dos Namorados. Eu falo brincar porque acho que deve ser divertido passar um Dia dos Namorados de fato namorando, tendo uma boa desculpa pra ir um pouco além do padrão na fofice, na comida e no bom gosto na companhia de alguém que goste de verdade de você.

O mais perto que eu cheguei de celebrar o Dia dos Namorados foi quando um ficante que eu tinha alguns anos atrás comentou que tinha recebido um convite para participar do comercial de Dia dos Namorados de um shopping, e disse que a gente faria um casal legal nas filmagens. Acho que semanas depois ele estava namorando – outra menina. O mundo perdeu a chance de me ver com cara de apaixonada besta vinte vezes por dia na TV, ahhh.

Mesmo quando você é solteira, o Dia dos Namorados dificilmente passa despercebido. Os casais te lembram, a TV te lembra, as pessoas com buquês de flores no metrô esfregam na sua cara e as redes sociais, elas te entristecem, te enojam ou te fazem rir, dependendo do nível da sua timeline e do seu estado psicológico.

É sério, as redes sociais podem te deprimir mais do que nunca. Teve um Dia dos Namorados que eu pratiquei abstinência de Facebook só pra evitar ver fotos – principalmente daquela pessoa que eu tava a fim e não me dava a menor condição. Quando só dar um tempo Facebook não for suficiente pra não aumentar a sofrência, sugiro também um break do Instagram, Snapchat e o que mais mostre cenas românticas das quais você não faz parte – mas gostaria. Inclusive, vale considerar a ideia de parar de seguir esse cara, até eu que não te conheço já percebi que ele te faz mais mal do que bem.

Outro problema que acontece por causa das redes sociais é o tanto de gente comprometida que insiste em comemorar o Dia dos Namorados duas vezes: em junho e em fevereiro, o Valentine’s Day. E fazem comentários em inglês, porque obviamente a timeline é toda oriunda de países de colonização britânica, risos. É possível que um dia eu morda a língua e prove do meu próprio veneno mandando um depoimento bem fofuxo e orkuteiro pro cara que estiver me aguentando no momento do dia 14 de fevereiro. Mas hoje eu só acho completamente desnecessário.

A questão de sobreviver ao Dia dos Namorados quando você tá solteira é que você pode até tentar, mas é muito difícil ignorar que ele é uma realidade. A não ser que você esteja em outro país ou tenha algo muito maior acontecendo na sua vida e te tirando do convívio em sociedade (como uma cirurgia ou uma prisão, sei lá o que você fez), não adianta negar. O amor tá no ar, mesmo que a gente respire por aparelhos.

Eu já tentei ignorar e foi ok, nada aconteceu, dia 13 de junho chegou e continuei vivendo.

Eu já fui super otimista e li livros de amor no Dia dos Namorados, escrevi posts românticos para o blog que eu tinha há alguns anos (esse aqui, ainda tenho orgulho dele) por uma semana inteira.

Eu já fui amarga e revoltada no Dia dos Namorados, super chateada com os rumos da minha vida amorosa fracassada, xingando muito no Twitter e saindo no dia 12 com uma camiseta com a frase “Music is my boyfriend” (que é genuinamente muito daora, vai).

Eu já fui levada casualmente pela minha mãe à igreja para rezar para Santo Antônio. Minha mãe tá bem a fim de me ver acompanhada no Dia dos Namorados, aliás. Tá bem bacana, sem pressão.

E eu já tive Dias dos Namorados muito felizes com amigos, falando de relacionamentos, falando de outras coisas nada a ver com isso, contando histórias, dando risada. São os que eu me lembro mais claramente.

Sou uma solteira bem convicta, no sentido de que realmente quero fazer muita coisa na vida sozinha, por mim, livremente. Vendo por esse lado, não ter laços com alguém é um fator consideravelmente importante, pelo menos é o que eu acho agora. Também quero produzir muita coisa no presente e num futuro próximo, e quando eu tô apaixonada eu fico muito menos produtiva. Realidades.

Mas hoje, talvez por estar bem com o estado do meu coração, melhor do que nos últimos anos, consigo admitir que o Dia dos Namorados afeta sim. Às vezes mais, às vezes menos. Depende do quanto você deixa.

Eu gosto de tentar entender a vida como um monte de experiências amontoadas. Por isso, acho que o que vale em relação ao Dia dos Namorados é criar em cima disso a experiência que você quiser viver enquanto solteira.

Se quiser tirar o dia para sofrer e chorar e ver filmes do Nicholas Sparks pensando em como você nunca terá um Ryan Gosling na sua vida, faça isso. O Ryan Gosling a gente nunca vai ter mesmo, é um choro com sentido.

Se quiser se dar de presente uma caixa de chocolate, faça muito isso. Foda-se as calorias, seja feliz com seu boy 70% cacau, ao leite ou branco com frutas vermelhas.

Se você quiser reunir as amigas solteiras pra falar merda e dar risada, faça isso, é ótimo. Eu acho que vou reservar um tempinho só pra ouvir o CD “Red” da Taylor Swift e entrar no clima curtindo toda aquela fossa maravilhosa, só de zoeira.

Ainda quero brincar de Dia dos Namorados um dia, mas não porque agora tenho mais amigos namorando (o que é verdade) e porque minha mãe quer que eu namore (o que é verdade também). É porque um dia eu quero agregar essa experiência na minha vida. O dia 12 de junho vai chegar e vai passar. Pode parecer que não, mas a gente tem escolha: viver ou sobreviver. Não sei você, mas eu tô solteira e bem viva.

E por bem viva talvez eu queira dizer que esteja nesse estilo da Penny com um livro ou Netflix ao lado, obrigada

“Me interessa o saldo”

Terminei de ler uma biografia sobre a Leila Diniz nessa semana. Eu já tinha ouvido histórias avulsas sobre como ela era revolucionária, como ela mudou tudo, como ela era louca. Mas não sabia que ela era tão fantástica.

Não dá para resumir o que ela era e nem tentar defini-la. Mas Leila manteve durante muitos anos diários que revelavam suas reflexões no momento e, de quebra, sem ela saber, revelam pensamentos que poderiam ter saído da minha cabeça e da cabeça de tantas outras mulheres que chegaram nesse mundo depois dela.

Não resisti e colei um trecho de um diário dela aqui. A situação que ela estava analisando era sobre seu caso com um homem comprometido e sua visão sobre amor, relacionamentos e a vida:

“Se a gente sabe das coisas, a gente se vira, a realidade é um troço bacana. Bacana de ser vivido, mas por isso é que é preciso localizá-la, sabê-la, separá-la do resto. Daí a gente vive.

Sei que César tá numa e eu tô noutra. Aliás, sei que estou noutra mesmo. Muito difícil, mas não distante e como eu gosto e tenho de me relacionar com as pessoas como elas são e se me apresentam, tenho que saber me criar e tamos aí.

(…) Sei que me arrisco a ficar sozinha e mesmo a um isolamento maior e absoluto, mas eu pago pra ver. Não é só atitude, é necessidade, é ser. Não vou deixar de procurar em mim, saber minhas coisas, meu caminho, minhas verdades e ser como sou. Fiz essa escolha, essa opção na vida e acho que ela vale as consequências. Não vou parar pra me acomodar às coisas mais “bonitinhas e limpas”, às situações protetoras (que são também limitadoras e podadoras), prefiro ficar aí. No meio da briga, no meio da zona, nua. Parando em tudo aquilo que me interessar.

Somando, subtraindo, dividindo, multiplicando, tanto faz, tudo isso. Me interessa o saldo. E esse fica dentro de mim. É minha base, meu alimento, meu estofo, é disso que eu vivo. E se vivo assim é porque pra mim é essencial esse tipo de busca, de vida. Não posso sair, nem me proteger erradamente, nem me acomodar, não me importa também o fim, “onde que eu vou chegar”. Importa ir. Sei que me arrisco à solidão, se é isso que me perguntam, mas eu sei viver assim”

Sabia mesmo ❤

#FizSozinha 3 – Morar sozinha

Morar sozinha é um sonho, não vou mentir para você, não. Morei muito, muito pouco tempo sozinha (duas semanas completamente sozinha, dois meses com uma roommate que eu quase nunca encontrava), mas já deu pra ter uma ideia das dores e delícias que esse conceito traz. (Spoiler: As delícias ganham)

No começo, morar sozinha é algo que afeta muito mais a família do que você mesma. Pelo menos comigo foi assim. Minha mãe passou por várias fases até aceitar esse fato.

Fase 1: drama – “Você quer morar sozinha por quê, não gosta mais da gente?”.

Fase 2: descrédito e desestímulo – “Ah, você quer morar sozinha? Vai começar a lavar roupa então, é? Hmm, sei”.

Fase 3: preocupações reais (ainda com uma pitada de antipatia) – “Mas você vai ter dinheiro para pagar? Mas é seguro?”

Fase 4: melancolia e uma certa chantagem emocional – “Ai, filha, como eu vou ficar aqui sozinha sem você?” (detalhe que minha mãe não mora sozinha. Tem meu pai, minha avó e minha gata pra fazer companhia)

Se você tem uma família legal, carinhosa, que te deu boas bases para a vida, passar pelos obstáculos familiares é meio chato, mas um grande passo em direção à importante independência. Se a minha mãe sobreviveu – e até se animou com a ideia – a sua sobrevive também.

O segundo passo, depois da decisão, é de fato ter os recursos para ir morar sozinha. A decisão já existia na minha cabeça há muitos anos, mas a concretização só veio depois de eu ganhar meu dinheiro, juntar meu dinheiro e planejar tudo muito bem.

Porque, além de aluguel, luz, água, etc, se você se muda para um lugar ainda não mobiliado, pode sentar (no chão) e chorar. Os gastos não são poucos e parecem não acabar nunca. Você vai passar a ler matérias sobre “como aproveitar bem espaços pequenos”, “dicas para organizar sua rotina de faxina”, “dez itens que vão mudar sua cozinha”.

Tudo isso para tentar facilitar a vida. Porque a vida de quem mora sozinha, ela não é fácil. As visitas à Tok&Stock não serão mais tão divertidas quanto eram na sua infância, já que a novidade é que agora você fica mais pobre cada vez que vai lá (e também talvez fique mais envergonhada porque quebrou um porta-retrato e foi cercada por seguranças. Pois é. Acontece). As visitas ao supermercado então…É muito possível que você se pegue voltando para casa carregando produtos chatos como lixeira, vassoura ou detergente e pensando que poderia estar investindo esse dinheiro em coisas muito mais emocionantes.

Mas faz parte. Todas essas pequenas chatices cotidianas são parte do sonho sendo realizado, e é preciso ter isso em mente. Quem decide morar sozinha tem que ter essa ideia bem amadurecida – e ajuda se tiver uma atitude mais madura também. Se não tiver, vai aprender a ter. Pode ser que você sinta que amadureceu 20 anos só no primeiro mês na sua nova moradia. Faz parte.

Depois de passado o susto inicial, a vida começa a se ajeitar e você passa a se ajeitar à nova vida. Arrumar a cama de manhã: pode ser ótimo, pode ser que você não esteja a fim. Levar o lixo para fora: pode ser agora, pode ser só mais tarde. Organizar seus livros: pode ser assim, pode ser assado, pode deixar tudo no chão e pensar nas possibilidades. Pode tudo, desde que você arque com as consequências. Foi uma das maiores sensações de empoderamento que eu já senti.

Por isso que eu recomendo morar sozinho pra todo mundo, se puder, nem que for por pouco tempo. Morar com a família é fundamental, morar com amigos é divertido, morar com o namorado/marido é uma delícia, acredito em tudo isso. Mas morar sozinha te deixa completamente controle da sua vida. Like a boss.

Se ainda não te convenci, aqui vai uma pequena lista de prós e contras de morar sozinha:

Prós:

– Não precisa usar calças.

– Não precisa usar roupa nenhuma, na verdade, né

– Não precisa manter um visual apresentável se não estiver a fim

– Pode beber tudo direto da garrafa e tomar sorvete direto do pote

– Pode ter a decoração do seu jeitinho ❤

– Pode convidar quem você quiser para sua casa e não ter que dar satisfações em geral

– Se você é introvertida, seu alone time pode ser all the time =)

Resumo: pode fazer tudo o que quiser e não precisa fazer nada que não quiser.

Contras

– Tem que pagar contas.

– Tem que pagar contas. De novo, porque são muitas e sempre aparece uma ou outra inesperada.

– Se você tem um bichinho de estimação, dói pensar que ele sempre ficará forever alone mesmo quando você não estiver em casa.

– Às vezes sobra comida e comida estraga, porque afinal você é uma só e as porções de alimentos vendidas no mercado por vezes são muito grandes.

– Dá um trabalho do inferno fazer mudança. E você vai esquecer alguma coisa, sempre.

– Se você é extrovertida, pode dar uma sensação ruim por não ter ninguém pra falar e contar como foi o dia.

– Se você tem pavor de insetos, pode ter acessos de paranoia achando que tem um deles te perseguindo ou crises de terror ao ter que enfrentá-los sem ajuda alguma.

Resumo: tem que reservar um dinheiro para dedetização porque bicho horroroso pela casa não. Por favor, não.

E tem que ser adulta, né. Mas vai por mim: se tem uma coisa boa de ser adulta, essa coisa é a liberdade de morar sozinha e tomar conta da sua própria vida.

Pode dançar loucamente pela casa sim

Quero saber bem mais que os meus 20 e poucos

Eu tenho 23 anos e eu sei que sou jovem. Esse não é um post em que vou lamentar os novos tempos que não são como ~na minha época~, em que vou comentar um monte de nostalgia sobre o passado, em que vou fazer todo mundo refletir sobre a crise do um quarto de vida. Ou seja, esse post provavelmente não vai tocar no seu coração e não vai te dar vontade de compartilhar no Facebook e ganhar muitos likes, mas fazer o que, né. Não se pode ter tudo.

Eu tenho 23 anos e sei que sou jovem, mas também tô achando que já não sou tão jovem assim. Não sou mais “jovemzinha”. A primeira juventude pós-teen, aquela que brota de você quando finalmente chegam os 18 anos (“aê, já pode ser presa”, disse qualquer tiozão), agora ela respira por aparelhos. Tô percebendo dos últimos anos pra cá que tem muita coisa que não é mais pra mim, assim como eu não sou mais muita coisa.

Me considero jovem adulta (Deus abençoe quem criou essa expressão) desde que comecei a pagar minhas contas, e ainda me identifico com os clichês que isso pode conter – dúvidas em relação à carreira, vida amorosa  desestabilizada (quando não inexistente ou toda cagada), vontade de aproveitar a vida ao máximo. Mas aos poucos sinto que me distancio mais do jovem e abraço mais o adulta.

Aqui vão alguns sinais de que a juventude, ela está se esvaindo:

– Adolescentes me chamam de moça.

– Minha energia pra sair pra balada deu uma caída drástica. Agora: tá frio/tá chovendo/é longe/é caro/não tenho amigos/vamos pra um bar, onde eu posso beber sentada/tô com preguiça/já sei o que acontece nessa festa/tô muito feliz por ficar em casa vendo filme, obrigada.

– A relação com dinheiro também muda. Aos 21, você ganha seu primeiro salário sem ser estagiária e o que faz com ele? Provavelmente nem lembra, porque gastou em shots de tequila ou qualquer outra coisa que não fez bem pro seu corpo (talvez dorgas tenham vindo à sua cabeça, mas eu juro que pensei em rodízio de sushi e num vestido justo horroroso que ainda tenho só pra lembrar de como fui idiota ao comprá-lo).

– Agora, penso 2, 3, 600 vezes antes de gastar dinheiro. Pensamentos que vêm na cabeça: “pelo preço dessa calça eu pago 2 noites num hostel”, “putz, mas janeiro tem IPVA”, “o preço desse sapato é quase um mês de aluguel” e “cê já viu quanto tá o dólar??”.

– Vamos falar de ressaca? Não, não vamos. Só vamos concordar que vodka barata: melhor não.

– O corpo começa a dar sinais de que é melhor parar com a palhaçada. Aos 20 anos, eu lembro que saí um dia com as minhas amigas mesmo com gripe e 38 graus de febre. Fui pro hospital dias depois com a pior infecção de garganta da vida. Hoje, a qualquer sinal de resfriado, eu cancelo planos, tomo um benalet e vejo alguns (muitos) episódios de Parks and Recreation. E sou muito feliz assim.

– Inclusive qualquer mal estar também é desculpa pra eu não ir à academia, algo que agora tenho que fazer porque infelizmente as gorduras trans dos potes de sorvete que tomei inconsequentemente no ano passado não desapegam sozinhas. (Mas continuo preferindo o Netflix)

– Eu gosto mais de comida do que de muita gente. Raras exceções, prefiro estar em um lugar com muita comida do que em um lugar com muita gente. Rolês que não envolvem comida – por quê?

– Vejo algumas roupas nas lojas e entendo que são para meninas mais novas. Qualquer coisa com estrelinhas, borboletas, pink, neon e coisas fofas em geral me fazem pensar duas vezes. Eu concordo plenamente que cada um deve usar a roupa que quiser e ficar de boas. Mas meu super ego nem sempre é da mesma opinião.

– Eu sempre fui de pedir mais drinks docinhos, nem-parece-que-tem-álcool (olar caipiroska de morango). Mas de uns tempos pra cá aprendi a apreciar cerveja. E vinho. Ainda não sei discursar sobre isso, mas me pergunte novamente nos meus 25 anos.

– Assisti um show no Lollapalooza não no meio da galera, não de pé dançando muito. Assisti sentadinha, no alto da montanha, bebendo vinho rosé. Espero que isso não tenha saído tão coxinha quanto pode parecer, mas olha, tava ótimo. Ainda amo shows e amo dançar, graças a Deus, mas olha. Tava ótimo.

– Começa a bater um pânico de “o que fazer com a carreira”. Já tá na hora de fazer alguma coisa e alguma coisa já até foi feita, mas…e aí? Já é pra ter sucesso e se destacar ou ainda é pra ganhar pouco e experimentar?

Não sei. Não tem como saber completamente com certeza. Eu leio muitas biografias e muitas entrevistas e muitos depoimentos de gente que eu admiro sobre os 20 anos, acho que um pouco pra tentar me inspirar a fazer algo legal com a minha própria vida. Às vezes acho que tô progredindo, às vezes acho que sou o maior zero à esquerda do mundo. Isso é bem clichezão de juventude, né? Ela tá aqui, meio capenga de vez em quando, mas tá.

(Juventude é da alma, sim, mas minha intenção é usar a palavra mais relacionada a experiências de vida e a faixa etária mesmo, só pra esclarecer)

Aos 23 anos, eu sei que ainda sou jovem, e, de verdade, sempre quis fazer com a minha idade o que ela me permite – o que, no caso, acho que é o que eu quiser e souber lidar (vide este post). Se ela não me confundir e não me deixar louca, espero que a gente possa fazer muitas coisas legais juntas – aos 23, 24, 25, 26…

I don’t know about you, but I’m feeling…não pera