Vai uma martelada na cabeça aí?

Eu sempre fui uma pessoa muito tímida, desde que me entendo por gente. Melhorei muito com o tempo. Quando criança, eu lembro que não era lá das mais sociáveis porque não sabia me aproximar muito bem das pessoas (continuo não sabendo) e porque tinha medo das pessoas (isso não tenho mais. Quer dizer, se o Lil Wayne olhasse pra mim muito feio, certeza que eu ficaria apavorada e começaria a chorar. Mas não é esse o meu cotidiano, glória a Deus, né). O problema é que, quando você cresce, a sua timidez não é mais fofa. Ela é julgada, interpretada, analisada, criticada, zoneada. Aí chega uma hora em que você nem sabe mais o que você é.

Hoje eu sei que eu sou tímida no sentido de ter medinho de passar vergonha em público (e isso é um conceito muito amplo). Porque o tímido, ele tem o dom da premonição – ele prevê o constrangimento que vai rolar (sempre rola) e meio que se protege e evita que ele aconteça. Só que isso nem sempre é bom. Já perdi altas oportunidades de fazer amigos, pegar pessoas ou mesmo conhecer gente legal porque não sabia como agir ou porque fiquei com receio de soltar minhas bobagens e me acharem idiota. Bobagem mesmo é perder chances de felicidade na vida social desse jeito besta, mas enfim.

Acho que depois da adolescência, em que eu tive que mudar de escola e fui forçada a ser mais ~da galera~ (internet ajudou muito nisso, obrigada orkut e msn [rip]), não sou mais tão tímida. Hoje eu tenho certeza que sou mais reservada. Muito reservada. Não gosto de dividir tudo que acontece na minha vida e não gosto de divulgar tudo que eu tô sentindo. Especialmente se for um sentimento ~da bad~, tipo arrependimento, tipo saudade de quem nem lembra da minha existência, tipo carência, tipo sofrer por algo/alguém que não corresponde. Não sou obrigada, sou? Não sou.

Sei que isso deixa claro (de um jeito bem feio até) o fato de eu ser extremamente orgulhosa nesse aspecto. Quer dizer, você não quer ser a babaca que fala besteira, mas aí se torna a louca que tem altas paranóias na cabeça. Tô certinha. Mas só faço isso porque me incomoda um pouco o fato de as pessoas ao redor (e as redes sociais também, de certa forma) exercerem uma certa pressão para você ficar bem logo. Como se uma fossa daquele jeito fosse resolvida com apenas uma conversa de bar. Sei lá, vai ver que é, vodka cura tudo mesmo e eu é que sou lenta.

Mas por isso que eu me sinto muito melhor sendo reservada. Me reservo o direito de me entender com as minhas próprias angústias e fazer isso no tempo que eu precisar. Sem ter que ficar respondendo perguntas que eu não sei ainda ou exibindo uma realidade bem resolvida quando não é bem assim. Sou dessas que “curte” persistir  nas coisas até que elas cheguem a um limite (e nem sempre eu enxergo esse limite, gênia que sou). Então, pra superar um erro, uma coisa que não deu certo, um #fail qualquer, é muito provável que eu precise de alguns tapas na cara (metafóricos, pfvr) e muitas marteladas na cabeça, com pregos em forma de trollagens da vida. Tipo Deus, ou sei lá que força maior, falando: “e aí, queridjinha, já aprendeu? Não? Opa, sem problemas. Vamos tomar mais umas marteladas nessa cabecinha pra ver se para de ser tonta.” Já tomei várias nessa semana, e você?

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3 opiniões sobre “Vai uma martelada na cabeça aí?

  1. Super identifiquei com esse texto, especialmente a parte da timidez. Odeio quando estou num grupo, quietinha no meu canto e alguém diz “Nossa, como você fala” e todos ficam olhando pra minha cara esperando uma resposta e eu apenas fico vermelha e rio u.u
    Também prefiro lidar com meus problemas sozinha e no meu tempo.
    Enfim, só resta esperar que a gente realmente esteja aprendendo alguma coisa com essas marteladas.

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