Masoquismo voluntário

Orgulho é um sentimento bem idiota. Tem gente que é tão orgulhosa que faz as pessoas ao redor sofrerem. E tem gente que é tão orgulhosa que a galera ao redor às vezes nem percebe, mas ele tá lá, corroendo as entranhas e dando uma bela de uma futura úlcera pra pessoa. Tem gente que sente orgulho de umas coisas completamente toscas, tipo conseguir comer uma pizza inteira. Que nem eu, por exemplo. Não, eu não consigo comer nem um quarto de pizza, mas vira e mexe me orgulho se ser forte o bastante pra aguentar situações que eu não precisaria estar aguentando.

Esse texto vai ser um tanto pessoal e muito reflexivo/sessão de terapia. Vai ser tipo aquela cena de Girls em que a Hannah fala: “any mean thing someone is gonna think about me i’ve probably said to me, about me, probably in the last half hour”. Esse texto vai ser tipo isso. Se você acha que não vai se identificar/curtir, não pratique o masoquismo voluntário e saia daqui agora. Tô avisando.

Mas é, eu chamo de masoquismo voluntário porque uma das características mais marcantes da minha personalidade é isso: eu tenho noção que uma situação tá sendo dolorosa pra mim de alguma forma, mas, por algum motivo que eu julgo mais “nobre”, eu decido que vou me manter nessa situação. E vou sair por cima. E vou contar a história desses meus “fïascos superados” para as futuras gerações, em um daqueles momentos em que falta esperança pra seguir na vida.

O mais bizarro é que eu sempre fui assim. Enquanto todas as crianças choravam na escola, eu gostava de ser a forte que ficava firme até minha mãe me buscar (e minha mãe sempre atrasava e eu era uma das últimas a ir embora). Enquanto todas as meninas morriam de nojo na aula de ciências em que a gente tinha que dissecar um sapo, eu tava lá, mó animadona, zoando pra caramba (mesmo sabendo que, se o bicho estivesse vivo, eu ia me cagar de medo dele). Enquanto todas as minhas amigas e amigos gays me contam suas histórias de corações partidos, eu fico aqui com o meu, às vezes completamente destruído, mas respondendo o “como você está?” com “tô ótima, e você?”.

É isso, nem sempre eu realmente sou, mas eu sempre gostei de ser ~durona~. Esse assunto parece um pouco com o do texto das marteladas, mas não é exatamente a mesma coisa. Comecei a pensar mais nesse meu masoquismo por opção quando me vi prestes a entrar numa situação que qualquer pessoa sã categorizaria como “cilada” ou “sua vida é uma piada pronta”. Mesmo assim, vou lá, vou encarar. Me peguei pensando na ideia de “vou me testar”. Quer dizer, eu, que odiava fazer qualquer prova na escola, que tinha vontade de fazer voodoo com professores que davam prova, tô querendo me provar assim, porque sei lá, vamos ver como eu me saio. Bacana, né.

Sei lá se outras pessoas sentem isso também ou se eu tô bem louca e alguma amiga vai ler isso aqui e me encaminhar pra uma psiquiatra asap. Mas acho que o que mais me atrai nesse gosto por suportar coisas pesadas é a ilusão de que eu vou sair delas, como diria Britney, “stronger than yesterday”. Assim, só por um momento. Pouco tempo depois, já voltarei a ser durona e estarei “back to black”.

Sabe aquela história de que, se a Britney superou 2007, voce supera qualquer coisa? Então.

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