Deixa a vida ser torta

Uma amiga minha me falou recentemente que tá parecendo que eu tô querendo fazer a Carrie Bradshaw nos meus textos aqui, sempre escrevendo sobre uma amiga que fez isso ou aquilo, outra amiga que disse uma coisa X ou Y, esse recurso textual que a Carrie sempre usava. Juro que não é proposital, apesar de a Carrie ser mesmo um dos meus maiores ícones de inspiração na vida <3. É que na minha vida quase não acontece nada, mas na vida das minhas amigas sempre tem uma pauta boa pra refletir, então eu roubo as histórias delas mesmo porque é pra isso que servem as amizades, risos.

Mas enfim, estava eu jantando com uma amiga quando a gente começou a comentar da vida dos nossos colegas em comum do colégio que a gente não tinha mais muito contato. Aí ela disse: “é, me contaram que a vida da fulana tá bem torta”. E aí contou que a menina tinha um rolinho com um cara comprometido, que a família dela não sabia, enfim, uma dessas histórias complicadas que, lá pelos seus 13 anos, você acha que nunca vai acontecer com você, mas aí você acorda um dia e acontece. Com a sua colega distante da escola, com a sua melhor amiga ou com você mesma.

Porque, sério, a vida é, por definição, uma coisa torta. É tipo um cabelo cacheado que você fica tentando alisar. Algumas pessoas têm cachos mais ~fierce~ que outras, então é claro que umas pessoas também vão ter a vida mais torta que outras. Pode fazer escova, chapinha, progressiva, o caramba. Vai ficar tudo acomodadinho por um tempo, mas depois é claro que vai voltar a dar uma encrespada. E isso não é necessariamente o maior pesadelo. Ou, sei lá, só tô fazendo essa analogia tosca porque amo cabelo cacheado e não troco meus cachos (e minhas entortadas) por nenhum alisamento definitivo.

Não tô querendo dizer que é legal ter uma vida toda cagada e que a gente deve ter atitudes bizarras só pra dar uma movimentada na coisa toda. Acho que a gente tem que tentar, sim, manter os princípios e as atitudes corretas em todo momento, porque, até quando a gente faz isso, shit happens, né. Mas se acontecer também, deixa. É um puta clichê, mas às vezes a gente ganha mais (mais experiência, mais esperteza, mais lições mesmo) quando faz merda do que quando acerta de cara. Todo mundo sabe disso, mas tá todo mundo querendo alisar a vida mesmo assim.

Mentira, sei lá se todo mundo pensa assim mesmo ou se esse é um distúrbio mental só meu mesmo. Eu sou dessas que odeia crianças prodígio pelo simples fato de que acho que as pessoas têm que ser toscas pelo menos uma vez na vida (e a melhor fase pra isso é a pré-adolescência) pra formar caráter. E que coisas estranhas e ruins e putaquepariu-não-acredito-que-isso-é-comigo têm que rolar de vez em quando, porque quem tem tudo muito certinho na juventude não tá vivendo muito certinho, entende? E né, se eu não acreditasse que a vida precisa ser um pouco torta de vez em quando, esse blog apenas nem existiria.

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