Gente que acha bonito ser feio

Apesar de o título desse post indicar que eu sou uma pessoa chata e mala pra caramba, a grande verdade da vida (da minha vida) é que eu sou uma pessoa que não se irrita fácil com as outras pessoas. Minha mãe não diria o mesmo (porque eu me irrito com ela, porque não é fácil ter 21 anos e ainda morar com a sua mãe que tem mania de organização. Te amo, mãe), mas juro que sou bem tranquila mesmo. Por exemplo, gente que fura a fila na minha frente: não tô irritada (a não ser em casos extremos). Gente que me chama pra sair mesmo sendo comprometido: não tô irritada. Gente que enrola pra decidir a comida no restaurante quando eu já tô morrendo de fome: não tô irritada. Eu tenho reações diferentes para cada uma dessas situações, mas não são coisas que eu levo muito a sério. É a filosofia do “os outros são os outros e só”. Mas tem uma coisa que me deixa, a longo prazo, irritada com os outros: gente que acha bonito ser feio.

Cê sabe que eu não tô falando no sentido literal da frase, né? Meu problema não é com a Gracy Barbosa e suas pernas marombadas que ela deve achar incrível. Deixa ela. Meu problema é com gente que acha bonito fazer coisas feias e contar pra você depois. Mas nao só contar pra você. A pessoa conta pra você esperando que você concorde que o que ela fez foi muito daora mesmo, viu, tá de parabéns. Se você faz o contrário, aí a feia, a patrulheira da moral e dos bons costumes, a errada é você.

Pode estar parecendo um caso muito específico e você pode estar pensando que eu deveria falar isso na cara da pessoa em vez de vir dar indiretinha no blog. Acredite, eu já fiz isso. E acredite também que várias pessoas acham bonito ser feio nesse mundo. Lembra quando você tava na quinta série e ficava disputando com seu amiguinho que estudava em outra escola, contando casos de zuera na sala de aula? Coisas tipo “na minha sala a gente jogou giz na cara da professora” e ele respondia algo como “ah, isso não é nada, na minha a gente colou na frente da diretora”? Sabe? Então, no fundo você sabia que tava fazendo merda, mas era mais legal contar como se fosse legal. Tem gente que saiu da quinta série e continua fazendo esse joguinho.

Eu juro que não me importaria e continuaria pensando “os outros são os outros e só” se isso não fosse um tipo de comportamento que influencia nas relações entre amigos. Por exemplo, tem gente na minha vida que conhece um garoto, faz um puta drama com ele (com direito a DRs com apenas duas semanas de “relacionamento”), fica desesperada dia sim e outro também e depois diz que gosta de ser dramática e de chorar de madrugada (se eu tenho uma certeza nessa vida é que ninguém gosta de chorar de madrugada por causa de homem). Também tem gente que reclama que a vida tá uma bosta, que nada vai pra frente, e no outro dia você encontra a mesmíssima pessoa deitada no chão do banheiro da balada depois de vomitar um pouquinho. Aí você pensa, ah, ela estava afogando as mágoas. Mas não, ela faz isso com uma certa frequência e conta nas rodas de amigs achando graça mesmo. Também tem gente que reclama que não tem amigos, mas quando a amiga vem em casa fica reparando em quantos bolinhos ela comeu e que a bolsa dela tá meio rasgadinha.

Sei lá, juro que não gosto de julgar, porque quem pode dizer que nunca teve esses momentos de bipolaridade leve na vida, né? E não me importo de ouvir a amiga falar do menino, a outra reclamar da vida e etc. Contanto que estejam dispostas a fazer alguma coisa sobre isso. Agora que eu tô pensando o quanto é bizarro eu fazer um texto querendo que pessoas sem noção parem de ser assim e sejam de outro jeito. A primeira coisa que a gente devia aprender quando nasce é que ninguém muda ninguém. A própria consciência de cada um que muda cada um.

O máximo que dá pra fazer é dar uma ajudinha. E é por esse argumento que eu acho que esse texto se justifica. Os outros quase sempre são os outros e só. Mas, quando os outros são seus amigos, não custa tentar chamar a atenção pro fato de que é possível que eles estejam se sabotando. Quando nem tem necessidade, né. A vida já é tão cagada até quando a gente tenta fazer tudo certo, imagina quando a gente se auto-trolla. Se eu estiver fazendo isso de alguma forma, pfvr me avisem. Eu não acho bonito ser feia. Apenas sou mesmo. Eu era neném, não tinha talco, mamãe passou maizena em mim (é sério, passou mesmo. Te amo, mãe).

Amanda Bynes está achando bonito ser feia. E chamar ou outros de feios.

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