Tenha amigos loucos

Outro dia eu fui no cinema assistir esse filme que primeiro eu achei que não ia querer ver, depois achei que na verdade tinha tudo a ver com o meu gosto e depois fiquei simplesmente obcecada pra assistir: Frances Ha. É um filme com uma história até que simples, sobre uma garota na casa dos 20 anos que tem a vida toda bagunçada e tá com dificuldades pra arrumar. E o filme se passa em Nova York e é todo em preto e branco, então sei lá, é meio que o “Manhattan” da minha geração (mas eu não entendo nada de cinema e talvez você não devesse considerar essa minha comparação).

Essas histórias sobre garotas de vinte e poucos anos que têm a vida toda bagunçada são as minhas preferidas. Porque elas geram em mim um fator que ganha de qualquer outra coisa que eu acho que o entretenimento possa gerar: a identificação. É por isso que eu amo tanto “Girls” (acho que sou meio Hannah e meio Marnie, por mais nada a ver que possa parecer), por isso que eu amo as primeiras temporadas de “Friends” (amo todas, mas nas primeiras eles são menos adultos estáveis), por isso que eu amo a Julianne de “O Casamento do Meu Melhor Amigo” (ela sente os sentimentos “errados” e faz um monte de coisas “erradas”. Ou seja, mais gente como a gente impossível). Por isso que a galera amava (eu ainda amo, dsclp) as Spice Girls: porque elas representavam cinco estereótipos e todo mundo se identificava com algum (ou forçava pra se encaixar em algum).

Daí eu fui assistir Frances Ha achando que eu super ia me identificar com a personagem. Só que não foi bem isso. Assisti e amei, mas vi que eu no lugar da Frances teria atitudes completamente diferentes do começo ao (quase) fim. E vi que, mesmo assim, amei o filme porque ela é uma pessoa completamente adorável. E louca. Então me veio isso na cabeça: eu gosto de estar rodeada de gente louca.

Num bom sentido, sabe? Não é difícil eu me pegar falando com uma amiga variações do tipo “mano, você é louca” (sim, eu uso mano nas frases. Porque aqui é curintia). Eu adoro ouvir histórias retardadas de coisas que provavelmente não teriam acontecido comigo porque eu penso demais (e bebo quase sempre de menos). Pensa, o que é mais divertido de ouvir: sobre as férias da amiga que foi pra Itália e ficou lá tostando sob o sol da Toscana ou sobre o feriado da amiga que foi pro Guarujá e no verdade ou desafio desceu uma ladeira dentro de um carrinho de supermercado (essa história é real, mas não tentem em casa porque né. Tá cedo pra morrer.)? Adoro gente que faz coisas inesperadas, que não se preocupa com o julgamento dos outros, que não tem travas, que é feliz do jeito dela e ponto. Gosto de gente louca. Tento ser de vez em quando. Mas eu sou uma louca consciente, então não vale muito. Gosto de gente louca de raiz.

Por isso que eu acho que, quando eu tiver filhos, eu provavelmente vou criá-los no certinha way of life, porque é assim que eu sou (pelo menos em relação às coisas adultas da vida, como criar um filho). Mas um dos conselhos que eu vou dar a eles é: tenha amigos loucos. Gente pra te tirar um pouco da bolha que deve ser quando só se tem em volta gente que leva tudo a sério. Gente que te faça dar risada, da vida, das merdas da vida e de você mesmo. Gente que não te faça sentir vergonha (tá, as vezes eles vão te fazer sentir um pouco de vergonha alheia), mas gente que te faça ter vontade de colocar seus guilty pleasures pra fora. E gente do tipo que, em uma noite qualquer, saia por aí correndo e dançando ao som de Modern Love*.

*Essa última frase parece totalmente estranha, mas é uma referência a um trecho do filme. E esse texto todo parece meio estranho e sei lá, mas eu quis escrever sobre o filme porque realmente achei muito legal. Dá pra entender melhor sobre o texto vendo o filme, eu juro. Eu espero que, se você assistir, e também sinta o coração quentinho no final como eu senti #own

 

 

 

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