Recebi a minha crítica e ela não é boa

Um dia, eu tava fazendo uma pequena matéria sobre as cinco atrizes mais sexy do cinema. Não era pra eu dar só a minha opinião (se fosse assim eu jamais teria colocado Angelina Jolie no topo, aqui é #teamaniston), era pra me basear em alguma lista de uma revista. Beleza, achei uma lista da GQ ou Esquire, não lembro, e fui selecionando as limdas. Daí eu achei a Penélope Cruz lá pela 17ª posição, mas eu amo a Penélope Cruz e resolvi colocá-la no meu top 5 de qualquer jeito. No quinto lugar, mas tá ótimo já. Será que tá mesmo?

Por duas vezes já disseram que eu sou parecida com a Penélope Cruz (quer dizer, uma delas foi por um amigo muito querido e gay e a outra foi por um ex-peguete que também já disse que eu lembro a Keri Russel. Ou seja, podemos concluir que ele era um péssimo fisionomista, ótimo xavequeiro e por isso vou considerar só a opinião do amigo gay). Foi um dos elogios mais maravilhosos que eu já recebi e nossa, ser comparada com a 17ª atriz mais sexy do cinema é surreal. Mas aí eu me peguei pensando: o que que a Penélope Cruz deve achar de ser só a 17ª?

Provavelmente ela não acha nada, porque é linda, é casada com o Javier Bardem, ganha dinheiro pra caramba, tem dois filhos saudáveis e daí quem se importa com uma listinha feita pra vender revista, né? Pode não ser um problema na cabeça dela, mas eu sei que seria na minha e na de muita gente. Não necessariamente com essa questão da 100sualidade, mas com a situação maior de não ser boa o suficiente para estar no topo. Ou achar que não é. E se cobrar, criticar e torturar por isso.

Como diz uma amiga minha, eu deveria ter feito jornalismo com ênfase em psicologia, porque tenho essa tendência a achar que tô manjando de todos paranauê da mente humana e entendendo todos os motivos que fazem a gente ser assim, meio louca louquinha. É que eu acho que essa autocobrança excessiva é tipo um perfume que quando você passa acaba nem percebendo, mas tem vários ingredientes no meio. Por exemplo, tem notas marcantes de insegurança, óbvio. Também tem notas de um pouco de complexo de inferioridade. Não podemos esquecer do toque de competitividade, de ansiedade e de perfeccionismo. Aí, como um perfume, ela deixa um odor diferente na pele de cada um. Na minha o que se sobressai é a insegurança e a competitividade, na sua pode ser o perfeccionismo, enfim. De qualquer jeito, não é bom. Não cheira bem. Vai chegar uma hora que esse perfume vai deixar sua rinite alucicrazy (no caso, estamos falando da sua sanidade mental. E vou parar com essa analogia, já deu, né).

Por um lado, eu acho que ser uma pessoa que se cobra muito tem seu lado bom. Você acaba tentando fazer sempre o seu melhor e fica mais atenta para evitar falhas. Por outro lado, acho que não é nada saudável. Eu nunca fui muito perfeccionista (se eu fosse eu nem teria esse blog, né, haha), mas acho que não dá pra ser extremamente perfeita em todos os aspectos da vida. É uma questão de ajustar o foco. Algumas pessoas conseguem ser em um ou outro, mas em todos não dá. Então, a não ser que o seu grande objetivo de vida seja ser a 1ª mulher na lista das mais sexy ou a funcionária do mês na firma, e a não ser que você esteja disposta a fazer de tudo e mais um pouco pra conseguir esse objetivo, acho besteira se estressar por isso. Eu demorei um pouco pra entender que eu não sou e ainda não preciso ser o que em inglês chamam de “role model” de nada. Talvez quando eu for mãe eu me esforce mais pra ser. Mas hoje, na maioria das vezes me sinto bem quando o meu trabalho, a minha aparência e a minha conduta parecem satisfatórias pro meu critério (que não é mínimo, mas também não é impossível).

Mas daí também entra outro problema: o da comparação. Eu conversei com dois amigos nesse fim de semana que me colocaram o mesmíssimo drama: a(o) atual do meu ex é mais bonita do que eu? Não venha com “ai, que pergunta babaca”, porque eu tenho certeza que essa é uma dúvida universal. Você tem, já teve ou terá um dia. Mas sim, é babaca pelo fato de que você não tem que se comparar com ninguém. Ser substituído nunca é fácil, mas essa é hora de praticar não a comparação, mas o desapego (se conseguir fazer isso rápido, me ensina). Vou ser poética (aff), mas acho que a única pessoa com a qual a gente deve se comparar é a pessoa que a gente era ontem. Comparação com todas as outras só pode trazer duas coisas: frustracão ou risos (e é muito mais legal se a atual do seu ex te causa risos. Aliás esse assunto é ótimo, dava pra fazer um post só sobre isso).

Tem um episódio de Sex and the City em que a Carrie recebe uma crítica boa de seu livro, mas fica péssima quando vê que o ex falou mal dela pra atual namorada. Carrie fica neurótica daquele jeito, querendo explicar pra mulher que ela não é essa pessoa horrível que ela tá pensando. SPOILER No final, ela consegue falar tudo, só que a mulher meio que nem liga, pra ela tanto faz. Aí a Carrie se toca de que no fundo não importa tanto a crítica que os outros fazem de você . Importa mais o que você pensa de si mesma.

Tem uma frase do filme “Encontros e Desencontros” que é meu atual lema de vida e acho que resume bem esse último ponto que eu tentei colocar: “”Quanto mais você sabe quem você é e o que você quer, menos você permite que as coisas te chateiem”. É isso.

17ª, maravilhosa e sábia

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