Tears dry on their own

Quando você tá na fossa (geralmente por causa de homem, mas vale por outros motivos também), você vira um pouco a louca da auto ajuda? Não sei você, mas acho que eu viro. Não sou de ficar comprando esses livros que prometem milagres. Por duas razões: a) porque acho tosco e não gosto do texto mesmo e b) porque penso “por que eu pagaria por auto ajuda se posso tê-la de graça na internet, não é mesmo?”. Sim, sou pobre muquirana nesse nível.

O fato é que, nas fases mais necessitadas, toda e qualquer frase que pode dar uma esperança, uma luz, um quentinho no coração, eu leio. E procuro mais. E um dos tipos que eu mais gosto são as frases de “let go”. As que fazem você acreditar que vai passar, que vai melhorar, mimimi. Na hora, você, toda estragada, se sente melhor, mas continua quase na mesma. Aí, quando você até já esqueceu da frase, olha que coisa legal que acontece: um dia, você tá lá ouvindo uma música, andando na rua, limpando a casa, quando percebe que: sim, realmente passou.

Ok, esse provavelmente foi o parágrafo com a ideia mais babaca que eu já escrevi na vida. Óbvio que passa. O que eu quero dizer é que às vezes a gente fica tão imersa no assunto que não vê que ele tá se esvaindo. E aí é uma surpresa descobrir que alguns sentimentos, que antes eram fortíssimos, hoje são tipo uma visita que chega do nada, só porque tava passando pela vizinhança mesmo, e daqui a pouco já segue seu caminho pra longe.

Mas assim, óbvio que passa se você deixar passar. Semana passada, estava numa conversa entre amigas e uma delas reclamava que amava uma música, mas agora, sempre que ouvia, lembrava que tinha visto o ex dedicá-la pra atual namorada (que tem tipo 12 anos a mais que ela e é zoada, um desses absurdos da vida e do amor líquido). Meu conselho foi: tenta criar outras lembranças pra essa música. Dei o mesmo conselho pra uma amiga que não queria mais sair porque todo lugar de SP ela já tinha ido com o ex. Se você não cria novas experiências pra lembrar daquele lugar, daquele cantor, enfim, fica empacada. Voltamos ao “let go”.

Essa semana, tive duas experiências ótimas que comprovam isso. A primeira foi voltar a uma empresa na qual eu já quis muito trabalhar, mas fui rejeitada. Dessa vez, voltei de visitante, só pra pegar um trabalho temporário, e me senti extremamente bem. Acho que por ter percebido que dá pra ser feliz profissionalmente mesmo não tendo realizado o que era meu sonho profissional aos 18 anos. E a segunda foi encontrar na balada duas meninas que me ajudaram numa pequena vingancinha com um ex (não me orgulho disso, não, e nem vou contar aqui pra não me comprometer, haha. Só digo que foi divertida e bem sucedida, qualquer dia explico como faz =P). Senti uma leve vergonha lembrando do dia em que eu fiz aquilo e sabendo que elas deveriam estar lembrando da minha cara também. Mas, ao mesmo tempo, fiquei feliz por saber que hoje tô numa situação bem diferente – e melhor, e menos alucicrazy. E tava no mesmo lugar, criando memórias mais felizes.

Eu tô meio que tentando não deixar esse post tão menininha-coração-partico-clichê, mas meio que não tá dando, né, já era. Então, só pra concluir, coração partido é uma merda mesmo e demora pra consertar. Mas sentir que tá consertado (ou quase, vai) é uma sensação tão legal e rara e exclusiva (as pessoas que não se machucam nunca terão esse prazer) que faz parecer que valeu a pena passar por tudo que você passou. Profeta Amy Winehouse já dizia: tears dry on their own.

Yes, you can! (e adifinha se essa não é a música que doía no coração e hoje me faz soltar um sorrisinho?)

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Uma opinião sobre “Tears dry on their own

  1. rs, me senti tão idiota e profundamente contemplada com esse post.
    estou completamente imersa numa fase auto-ajuda. espero que não só a fase coração partido passe, mas a fase auto-ajuda também.

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