Sozinha, introvertida, individualista ou todas as anteriores?

Eu sempre fui uma pessoa meio sozinha. Calma, juro pra você que esse não será um texto mimimi, pode continuar lendo (se aguentar, porque já aviso que tá enorme e quase uma sessão de terapia). Mas é que assim, eu cresci num núcleo familiar bem contido. Família pra mim, mesmo, se resumia a apenas sete pessoas. Sendo que eu sempre fui o único membro com menos de 40 anos. Ou seja, isso significa que cresci sem irmãos, primos, ninguém do mesmo nível mental que eu em qualquer festa, viagem ou reunião dentro de casa. Adicione o ingrediente de que sempre fui tímida, não fazia amigos facilmente e praticamente não interagia com agregados da família e pronto, temos uma menina sozinha.

Dei toda essa introdução sobre minha vida familiar porque acho que teve muita influência em quem eu sou hoje. Vira e mexe ouço gente falando coisas tipo “ai, não sei ficar sozinha”, “tenho que aprender a ficar sozinho” e acho que realmente é uma necessidade, mas pra mim não faz sentido. Porque ficar sozinha nunca foi uma opção. Não sei dizer se ser introvertida foi algo que já nasceu comigo ou se eu desenvolvi por causa do meio, mas o fato é que sempre fui e nunca achei ruim, não. Achava ruim as pessoas me criticando por isso, mas no fundo sempre gostei.

Mas a vida, sempre essa linda, fez com que eu me questionasse esses dias sobre essa trindade de caracaterísticas que parecem quase a mesma coisa, mas se a gente olhar de perto não são: ser sozinha – ser introvertida – ser individualista. Sou as três, eu acho.

O dilema sobre ser sozinha e introvertida é um clássico. As pessoas sempre misturam as duas coisas. Quem é as duas coisas mistura também. Pode levar anos de terapia, de oportunidades perdidas e de sofrimento na infância/adolescência/até vida adulta pra entender que o segredo é saber dosar. Saber estar sozinha pra mim é fundamental e se sentir bem com isso é a prova de que você está de parabéns, é uma introvertida de sucesso. Contanto que você não esqueça de que vivemos em sociedade (infelizmente, às vezes) e interagir com os outros é legal de vez em quando. Nem que seja pra dar uma patada naquele idiota que ainda insiste em fazer piadinha com tímido (“Nossa, quase não ouvi sua voz, você fala bastante, né?” Não moço, não falo porque não tenho nem palavras pra expressar o quanto essa piada é idiota – usei essa há pouco tempo e é libertador. Não me julguem, tava há 21 ouvindo essas merdas e sendo reprimida de responder).

A questão é que, quando você aprende a ser muito sozinha, acho que desenvolve um pouco de individualismo também. Sei lá, no meu caso, eu sempre soube que, se eu não fizesse por mim as coisas que eu precisava/desejava, ninguém iria fazer. Sempre me considerei individualista por isso e não achava que era um problema, porque a gente tem que pensar em si mesmo em primeiro lugar, não tem? Pelo menos enquanto não temos filhos ou em situações em que ninguém depende de nós.

O negócio fica chato quando o individualismo atrapalha as relações. Uma amiga minha recentemente deu dessas. Fez questão de comprar ingresso pra festa separada de todo mundo, resolveu seu transporte pra lá sem avisar/oferecer pra ninguém e fez tudo por conta própria. Aconteceu o que? Isso mesmo, climão.  O ponto chave é: ok ser individualista. Só não perde a visão do coletivo porque aí você está a um passo de ferrar sua vida social (se você ainda se interessa por ela, como a amiga que queria ir pra essa festa, é melhor cuidar direito).

Outra situação com um amigo abriu ainda mais minha cabeça sobre isso. Estava ele me dizendo que quem namora (homem, no caso) gasta mais porque “o namoro pede”. Pede a puta que pariu, foi o que eu respondi (sou fofinha, lembra?). Não só pela questão de “ah, sou homem e tenho que pagar”. Sou feminista mas não sou radical louca com essas coisas. Só me preocupo com a igualdade de direitos e deveres – mais do que entre homens e mulheres, entre pessoas.

Nesse momento, me achei um pouco alien porque sei que a maioria das pessoas ainda deve ter essa ideia de que o homem deve pagar tudo. Eu penso que, se tô num relacionamento com alguém, o objetivo principal não é ser mimada, é ser parceira. Vamos dividir as contas porque assim nenhum gasta mais que o outro e a gente cresce junto (faço isso mesmo, não é discurso, haha). Percebi que o que eu tenho não é necessariamente um individualismo, é consciência do indivíduo. O indivíduo que, em essência, não é diferente de mim. Que tá lá, possivelmente sendo tão trollado pela vida quanto eu.

Mais uma vez, entra a questão de não perder a linha. Ficar sozinha não é sinônimo de solidão, ser introvertida não é a mesma coisa que ser antissocial, individualismo não é o mesmo que egoísmo. E não, nenhum deles é um problema, na minha opinião, contanto que você não deixe o negócio desandar de uma característica pra um defeito. Se tiver que desenhar para os extrovertidos, ~engraçadões~ da vida entenderem, a gente desenha. O único problema é não ter consciência do indivíduo porque se está ou fechado demais pra ver o mundo ao redor ou aberto demais pra enxergar de verdade quem tá do lado.

(outro problema: escrever um texto enorme desse. até eu tô cansada. desculpa)

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3 opiniões sobre “Sozinha, introvertida, individualista ou todas as anteriores?

  1. Ei Fê, (posso de chamar de Fê?)
    gostei muito desse texto, principalmente dessa frase: “Ficar sozinha não é sinônimo de solidão, ser introvertida não é a mesma coisa que ser antissocial, individualismo não é o mesmo que egoísmo”
    Inclusive, esse lance de ficar sozinha não é sinônimo de solidão bate na mesma tecla de não é só pq uma pessoa está sozinha (sem namorado) ela está infeliz, cortando os pulsos de tanta solidão.

    Bom feriado

  2. oi, olha, gostei muito do seu texto e nem achei grande, ao contrário, gostei de saber que não sou a unica com uma família assim, mas na minha concepção era apenas 4 pessoas incluidas. (Mãe, Pai, irmã e eu claro kkk ) minha irma nasceu com 9 anos de diferença e ela tem uma personalidade bem extrovertida, então fica meio difícil. À 3 meses comecei a namorar, pela primeira vez (não, não sou novinha, ja vou fazer 20) e me vi em um dilema, ele é uma pessoa muito energética, extrovertida, não passa um final de semana em casa, tem vários amigos e não pensa muito antes de falar, na verdade fala bastante, deu certo pq eu adoro ouvir, mas não gosto de ouvir besteiras. então, como ele adora sair, ele sempre quer que eu saia com ele, ja moro só e ja estou acostumada com a minha rotina, em AMO ficar em minha casa lendo, vendo seriado ou desenhando ouvindo minhas musicas classicas, que para mim é o verdadeiro significado de relaxar e curtir meu tempo livre, mas para ele, eu to perdendo tempo, fico trancada o tempo inteiro, fazendo nada, morgando no tédio enquanto poderia sair me divertir e curtir a vida, ir para festas. NÃO eu não curto isso, de vez em quando sim, mas todo dia sair pra comer, ir passear, sexta ir beber com os amigos dele, sabado sair pra ir pra balada,ele fica com muita raiva por eu não querer sair de casa, preferir dormir ou ficar sem fazer nada doque sair, não to aguentando mais sabe, não sei se vc ja namora, mas talvez isso possa tbm te incomodar, a não ser que vc encontre uma pessoa que entenda sua personalidade. Beijos, adorei mesmo ler seu texto! AH! feliz ano novooooo!!! kkkkkk

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