O que acontece quando você tem uma cara comum

Basicamente, o que acontece é que você vira a cara de todo mundo. Não é “a cara do Brasil”, “a cara da felicidade”, “a cara da descendência portuguesa, espanhola-judaica, indígena, africana e possivelmente francesa” (comprovada mesmo só a portuguesa, mas eu jogo uma francesa aí só pra sofisticar a genética e o parágrafo, merci). É meio cara de qualquer coisa, qualquer núcleo da novela. Comum aos olhos.

Tanto que uma das coisas que eu mais ouço na vida desde pequena, depois de “oi, tudo bem?” e “o que é isso no seu olho” são comparações. Quando eu tinha uns 4 ou 5 anos, minha mãe cortou meu cabelo tipo chanel. Na hora, os comentários foram de que eu fiquei a cara da Branca de Neve. Mas isso era bondade da minha família; na verdade eu fiquei mesmo a cara da Mafalda.

Daí eu cresci e as comparações ficaram cada vez mais absurdas. Quando eu tinha uns 13 anos, achavam que eu lembrava a Manuela do Monte, atriz. Eu queria parecer com ela  – ela era protagonista da temporada 2003 de Malhação e saiu numa linda capa da Capricho. Isso era vencer muito na vida, sério. Anos depois, com uns 17, surgiu a Selena Gomez e eu achei que podia ficar parecida com ela se fizesse o mesmo corte dela. É claro que a única coisa que a gente tem em comum meesmo é a cor do cabelo, porque o corte ficou 345% melhor nela do que em mim.

A comparação que as pessoas mais insistiram foi com a Isabelle Drummond. Eu até consigo ver algumas semelhanças, mas é porque, de tanto falarem, eu confesso que já passei valiosos minutos da vida reparando nas selfies dela no Instagram. É o nome dela que eu falaria se aparecesse naquele quadro “Com quem pareço” do “Altas Horas”, mas acho que a plateia riria de mim.

Agora que ela tá loira ninguém mais acha que a gente é parecida, mas, quando ela fazia a empreguete em “Cheias de Charme”, era constante. Quando ela aparecia na novela, minha mãe falava “olha você”. Minha mãe, cara. Uma colega no trabalho, também jornalista, chegou me falando que tava muito difícil entrevistar minha irmã. Primeiro eu olhei pros lados, tipo “tá falando comigo?”. Segundo eu joguei a real: “mas eu sou filha única”. Aí ela explicou a piada.

Eu só acho engraçado que eu conheci o atual namorado da Isabelle Drummond (gato) muitos anos atrás, nos bastidores de um show. Ele podia ter me achado daora naquela época, mas acho que não. Vida, devolva minhas fantasias.

Mas não é só com gente famosa que minha cara comum é parecida. Perdi a conta de quanta gente já me disse que eu sou a cara da irmã, da prima, da amiga, da mãe, da tia (sim, tia também), de qualquer pessoa. Uma colega de faculdade sempre que me encontrava ficava inconformada no tanto que eu era a cara da prima dela. E eu ficava sem saber o que falar, dando sorrisos sem graça nas longas viagens de elevador. Porque quando é gente conhecida você tem um parâmetro, mas quando não, que que cê faz? “Ah, vá. Deixa eu ver o Insta dela pra ver se é verdade. Hm, sei não, hein. Muito filtro aí”. Complicado.

Uma vez, no metrô, um menino e uma menina ficaram olhando pra mim durante uns 10 minutos. Então começaram a comentar, apontando mesmo, sem cerimônia (ah, a intimidade do transporte público). E comentaram: “Ela não é a cara da Larissa? É igual a Larissa”. Hoje eu me arrependo de não ter pedido o contato da Larissa. A gente podia se encontrar, descobrir que somos gêmeas idênticas separadas na maternidade e aparecer no Fantástico e na Sônia Abrão.

Lista completa de pessoas aleatórias com as quais já disseram que sou parecida: Isabelle Drummond, Selena Gomez, Katy Perry, Manuela do Monte, Chris Flores, Salma Hayek, Penélope Cruz (esse eu sei que é nada a ver mesmo, mas um amigo me disse com muita convicção e eu achei um dos melhores elogios da vida), Clarice Falcão, Regina Duarte e Magali. Eu não sei que tipo de entorpecentes as pessoas usaram quando me compararam a essas mulheres, mas devem ser ótimos.

Falando sério, fico lisonjeada, feliz que todas são bem sucedidas e tal, mas acho que só pareço mesmo com a Magali. Ela também é comumzona e só pensa em comida. Minha cara. (na verdade minha cara é essa, mas queria poder colocar a da Magali no RG)

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Uma opinião sobre “O que acontece quando você tem uma cara comum

  1. Mas gente, você é a cara da Sônia Abrão!
    (A zueira não tem limites, hahaha!)

    Nah, sério. Também sofro com isso. Mas nunca me compararam com ~celebridades. Quero dizer, uma vez me disseram que eu parecia com uma Chiquititas e eu me senti toda toda. Pois é.
    Tenho cabelo colorido e sempre alguém (até família!) me diz que viu uma garota no ônibus/no metrô/numa nave espacial que era minha cara. Pff, nem ligo mais.

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