Quero saber bem mais que os meus 20 e poucos

Eu tenho 23 anos e eu sei que sou jovem. Esse não é um post em que vou lamentar os novos tempos que não são como ~na minha época~, em que vou comentar um monte de nostalgia sobre o passado, em que vou fazer todo mundo refletir sobre a crise do um quarto de vida. Ou seja, esse post provavelmente não vai tocar no seu coração e não vai te dar vontade de compartilhar no Facebook e ganhar muitos likes, mas fazer o que, né. Não se pode ter tudo.

Eu tenho 23 anos e sei que sou jovem, mas também tô achando que já não sou tão jovem assim. Não sou mais “jovemzinha”. A primeira juventude pós-teen, aquela que brota de você quando finalmente chegam os 18 anos (“aê, já pode ser presa”, disse qualquer tiozão), agora ela respira por aparelhos. Tô percebendo dos últimos anos pra cá que tem muita coisa que não é mais pra mim, assim como eu não sou mais muita coisa.

Me considero jovem adulta (Deus abençoe quem criou essa expressão) desde que comecei a pagar minhas contas, e ainda me identifico com os clichês que isso pode conter – dúvidas em relação à carreira, vida amorosa  desestabilizada (quando não inexistente ou toda cagada), vontade de aproveitar a vida ao máximo. Mas aos poucos sinto que me distancio mais do jovem e abraço mais o adulta.

Aqui vão alguns sinais de que a juventude, ela está se esvaindo:

– Adolescentes me chamam de moça.

– Minha energia pra sair pra balada deu uma caída drástica. Agora: tá frio/tá chovendo/é longe/é caro/não tenho amigos/vamos pra um bar, onde eu posso beber sentada/tô com preguiça/já sei o que acontece nessa festa/tô muito feliz por ficar em casa vendo filme, obrigada.

– A relação com dinheiro também muda. Aos 21, você ganha seu primeiro salário sem ser estagiária e o que faz com ele? Provavelmente nem lembra, porque gastou em shots de tequila ou qualquer outra coisa que não fez bem pro seu corpo (talvez dorgas tenham vindo à sua cabeça, mas eu juro que pensei em rodízio de sushi e num vestido justo horroroso que ainda tenho só pra lembrar de como fui idiota ao comprá-lo).

– Agora, penso 2, 3, 600 vezes antes de gastar dinheiro. Pensamentos que vêm na cabeça: “pelo preço dessa calça eu pago 2 noites num hostel”, “putz, mas janeiro tem IPVA”, “o preço desse sapato é quase um mês de aluguel” e “cê já viu quanto tá o dólar??”.

– Vamos falar de ressaca? Não, não vamos. Só vamos concordar que vodka barata: melhor não.

– O corpo começa a dar sinais de que é melhor parar com a palhaçada. Aos 20 anos, eu lembro que saí um dia com as minhas amigas mesmo com gripe e 38 graus de febre. Fui pro hospital dias depois com a pior infecção de garganta da vida. Hoje, a qualquer sinal de resfriado, eu cancelo planos, tomo um benalet e vejo alguns (muitos) episódios de Parks and Recreation. E sou muito feliz assim.

– Inclusive qualquer mal estar também é desculpa pra eu não ir à academia, algo que agora tenho que fazer porque infelizmente as gorduras trans dos potes de sorvete que tomei inconsequentemente no ano passado não desapegam sozinhas. (Mas continuo preferindo o Netflix)

– Eu gosto mais de comida do que de muita gente. Raras exceções, prefiro estar em um lugar com muita comida do que em um lugar com muita gente. Rolês que não envolvem comida – por quê?

– Vejo algumas roupas nas lojas e entendo que são para meninas mais novas. Qualquer coisa com estrelinhas, borboletas, pink, neon e coisas fofas em geral me fazem pensar duas vezes. Eu concordo plenamente que cada um deve usar a roupa que quiser e ficar de boas. Mas meu super ego nem sempre é da mesma opinião.

– Eu sempre fui de pedir mais drinks docinhos, nem-parece-que-tem-álcool (olar caipiroska de morango). Mas de uns tempos pra cá aprendi a apreciar cerveja. E vinho. Ainda não sei discursar sobre isso, mas me pergunte novamente nos meus 25 anos.

– Assisti um show no Lollapalooza não no meio da galera, não de pé dançando muito. Assisti sentadinha, no alto da montanha, bebendo vinho rosé. Espero que isso não tenha saído tão coxinha quanto pode parecer, mas olha, tava ótimo. Ainda amo shows e amo dançar, graças a Deus, mas olha. Tava ótimo.

– Começa a bater um pânico de “o que fazer com a carreira”. Já tá na hora de fazer alguma coisa e alguma coisa já até foi feita, mas…e aí? Já é pra ter sucesso e se destacar ou ainda é pra ganhar pouco e experimentar?

Não sei. Não tem como saber completamente com certeza. Eu leio muitas biografias e muitas entrevistas e muitos depoimentos de gente que eu admiro sobre os 20 anos, acho que um pouco pra tentar me inspirar a fazer algo legal com a minha própria vida. Às vezes acho que tô progredindo, às vezes acho que sou o maior zero à esquerda do mundo. Isso é bem clichezão de juventude, né? Ela tá aqui, meio capenga de vez em quando, mas tá.

(Juventude é da alma, sim, mas minha intenção é usar a palavra mais relacionada a experiências de vida e a faixa etária mesmo, só pra esclarecer)

Aos 23 anos, eu sei que ainda sou jovem, e, de verdade, sempre quis fazer com a minha idade o que ela me permite – o que, no caso, acho que é o que eu quiser e souber lidar (vide este post). Se ela não me confundir e não me deixar louca, espero que a gente possa fazer muitas coisas legais juntas – aos 23, 24, 25, 26…

I don’t know about you, but I’m feeling…não pera

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Uma opinião sobre “Quero saber bem mais que os meus 20 e poucos

  1. Pois é, a gente vai tendo que ser responsável :/ Sobre balada: aguento a noite inteira, desde que esteja MUITO legal. Antigamente virar noite era ok, hoje é sacrifício que só faço se tiver a quase certeza que o evento vai ser sensacional antes de ele começar. Sobre carreira, estou completamente perdido e avaliando até mudar, e sobre dinheiro, S.O.S, que triste mudar de: “nossa, essa festa tá cara, deixa eu economizar pra ir” pra: “gente, 12ª hora de trabalho do dia e não consigo pagar esse aluguel nunca”. Não está sendo fácil.

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