“Me interessa o saldo”

Terminei de ler uma biografia sobre a Leila Diniz nessa semana. Eu já tinha ouvido histórias avulsas sobre como ela era revolucionária, como ela mudou tudo, como ela era louca. Mas não sabia que ela era tão fantástica.

Não dá para resumir o que ela era e nem tentar defini-la. Mas Leila manteve durante muitos anos diários que revelavam suas reflexões no momento e, de quebra, sem ela saber, revelam pensamentos que poderiam ter saído da minha cabeça e da cabeça de tantas outras mulheres que chegaram nesse mundo depois dela.

Não resisti e colei um trecho de um diário dela aqui. A situação que ela estava analisando era sobre seu caso com um homem comprometido e sua visão sobre amor, relacionamentos e a vida:

“Se a gente sabe das coisas, a gente se vira, a realidade é um troço bacana. Bacana de ser vivido, mas por isso é que é preciso localizá-la, sabê-la, separá-la do resto. Daí a gente vive.

Sei que César tá numa e eu tô noutra. Aliás, sei que estou noutra mesmo. Muito difícil, mas não distante e como eu gosto e tenho de me relacionar com as pessoas como elas são e se me apresentam, tenho que saber me criar e tamos aí.

(…) Sei que me arrisco a ficar sozinha e mesmo a um isolamento maior e absoluto, mas eu pago pra ver. Não é só atitude, é necessidade, é ser. Não vou deixar de procurar em mim, saber minhas coisas, meu caminho, minhas verdades e ser como sou. Fiz essa escolha, essa opção na vida e acho que ela vale as consequências. Não vou parar pra me acomodar às coisas mais “bonitinhas e limpas”, às situações protetoras (que são também limitadoras e podadoras), prefiro ficar aí. No meio da briga, no meio da zona, nua. Parando em tudo aquilo que me interessar.

Somando, subtraindo, dividindo, multiplicando, tanto faz, tudo isso. Me interessa o saldo. E esse fica dentro de mim. É minha base, meu alimento, meu estofo, é disso que eu vivo. E se vivo assim é porque pra mim é essencial esse tipo de busca, de vida. Não posso sair, nem me proteger erradamente, nem me acomodar, não me importa também o fim, “onde que eu vou chegar”. Importa ir. Sei que me arrisco à solidão, se é isso que me perguntam, mas eu sei viver assim”

Sabia mesmo ❤

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