Como sobreviver ao Dia dos Namorados sendo solteira

Vou confessar uma coisa: eu nunca brinquei de Dia dos Namorados. Eu falo brincar porque acho que deve ser divertido passar um Dia dos Namorados de fato namorando, tendo uma boa desculpa pra ir um pouco além do padrão na fofice, na comida e no bom gosto na companhia de alguém que goste de verdade de você.

O mais perto que eu cheguei de celebrar o Dia dos Namorados foi quando um ficante que eu tinha alguns anos atrás comentou que tinha recebido um convite para participar do comercial de Dia dos Namorados de um shopping, e disse que a gente faria um casal legal nas filmagens. Acho que semanas depois ele estava namorando – outra menina. O mundo perdeu a chance de me ver com cara de apaixonada besta vinte vezes por dia na TV, ahhh.

Mesmo quando você é solteira, o Dia dos Namorados dificilmente passa despercebido. Os casais te lembram, a TV te lembra, as pessoas com buquês de flores no metrô esfregam na sua cara e as redes sociais, elas te entristecem, te enojam ou te fazem rir, dependendo do nível da sua timeline e do seu estado psicológico.

É sério, as redes sociais podem te deprimir mais do que nunca. Teve um Dia dos Namorados que eu pratiquei abstinência de Facebook só pra evitar ver fotos – principalmente daquela pessoa que eu tava a fim e não me dava a menor condição. Quando só dar um tempo Facebook não for suficiente pra não aumentar a sofrência, sugiro também um break do Instagram, Snapchat e o que mais mostre cenas românticas das quais você não faz parte – mas gostaria. Inclusive, vale considerar a ideia de parar de seguir esse cara, até eu que não te conheço já percebi que ele te faz mais mal do que bem.

Outro problema que acontece por causa das redes sociais é o tanto de gente comprometida que insiste em comemorar o Dia dos Namorados duas vezes: em junho e em fevereiro, o Valentine’s Day. E fazem comentários em inglês, porque obviamente a timeline é toda oriunda de países de colonização britânica, risos. É possível que um dia eu morda a língua e prove do meu próprio veneno mandando um depoimento bem fofuxo e orkuteiro pro cara que estiver me aguentando no momento do dia 14 de fevereiro. Mas hoje eu só acho completamente desnecessário.

A questão de sobreviver ao Dia dos Namorados quando você tá solteira é que você pode até tentar, mas é muito difícil ignorar que ele é uma realidade. A não ser que você esteja em outro país ou tenha algo muito maior acontecendo na sua vida e te tirando do convívio em sociedade (como uma cirurgia ou uma prisão, sei lá o que você fez), não adianta negar. O amor tá no ar, mesmo que a gente respire por aparelhos.

Eu já tentei ignorar e foi ok, nada aconteceu, dia 13 de junho chegou e continuei vivendo.

Eu já fui super otimista e li livros de amor no Dia dos Namorados, escrevi posts românticos para o blog que eu tinha há alguns anos (esse aqui, ainda tenho orgulho dele) por uma semana inteira.

Eu já fui amarga e revoltada no Dia dos Namorados, super chateada com os rumos da minha vida amorosa fracassada, xingando muito no Twitter e saindo no dia 12 com uma camiseta com a frase “Music is my boyfriend” (que é genuinamente muito daora, vai).

Eu já fui levada casualmente pela minha mãe à igreja para rezar para Santo Antônio. Minha mãe tá bem a fim de me ver acompanhada no Dia dos Namorados, aliás. Tá bem bacana, sem pressão.

E eu já tive Dias dos Namorados muito felizes com amigos, falando de relacionamentos, falando de outras coisas nada a ver com isso, contando histórias, dando risada. São os que eu me lembro mais claramente.

Sou uma solteira bem convicta, no sentido de que realmente quero fazer muita coisa na vida sozinha, por mim, livremente. Vendo por esse lado, não ter laços com alguém é um fator consideravelmente importante, pelo menos é o que eu acho agora. Também quero produzir muita coisa no presente e num futuro próximo, e quando eu tô apaixonada eu fico muito menos produtiva. Realidades.

Mas hoje, talvez por estar bem com o estado do meu coração, melhor do que nos últimos anos, consigo admitir que o Dia dos Namorados afeta sim. Às vezes mais, às vezes menos. Depende do quanto você deixa.

Eu gosto de tentar entender a vida como um monte de experiências amontoadas. Por isso, acho que o que vale em relação ao Dia dos Namorados é criar em cima disso a experiência que você quiser viver enquanto solteira.

Se quiser tirar o dia para sofrer e chorar e ver filmes do Nicholas Sparks pensando em como você nunca terá um Ryan Gosling na sua vida, faça isso. O Ryan Gosling a gente nunca vai ter mesmo, é um choro com sentido.

Se quiser se dar de presente uma caixa de chocolate, faça muito isso. Foda-se as calorias, seja feliz com seu boy 70% cacau, ao leite ou branco com frutas vermelhas.

Se você quiser reunir as amigas solteiras pra falar merda e dar risada, faça isso, é ótimo. Eu acho que vou reservar um tempinho só pra ouvir o CD “Red” da Taylor Swift e entrar no clima curtindo toda aquela fossa maravilhosa, só de zoeira.

Ainda quero brincar de Dia dos Namorados um dia, mas não porque agora tenho mais amigos namorando (o que é verdade) e porque minha mãe quer que eu namore (o que é verdade também). É porque um dia eu quero agregar essa experiência na minha vida. O dia 12 de junho vai chegar e vai passar. Pode parecer que não, mas a gente tem escolha: viver ou sobreviver. Não sei você, mas eu tô solteira e bem viva.

E por bem viva talvez eu queira dizer que esteja nesse estilo da Penny com um livro ou Netflix ao lado, obrigada

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Uma opinião sobre “Como sobreviver ao Dia dos Namorados sendo solteira

  1. Republicou isso em Ester Albertini's bloge comentado:
    Longe de mim ser “recalcada”, mas tanto o 12 e 13 de junho, quanto ao 14 de fevereiro, não passam de: Afeto programado. Na semana do ” amor ” planejado, com data e hora para acontecer,na qual afeto é confundido com consumo e exposição social, e, nada mais, de acordo com o Coaching relacional Arly Cravo, e, a Psicóloga holística Gisela Vallin. Aí, a semana do afeto planejado acaba, e, os casais aparentemente fofos, voltam a ter os seus relacionamentos conturbados. Há seis meses, eu optei pela solteirice, mas mesmo quando eu namorava, pelo menos para mim, era indiferente, porque eu estava trabalhando, e, fazendo faculdade. Eu não sou diferente de ninguém, mas, eu, assim, como todos os brasileiros, e, ocidentais, nasci com a autoestima no lixo, e, me impressionava com as redes sociais, sim. Mas, conforme eu fui crescendo, e, conhecendo as coisas, e, aprendendo as coisas, eu não me impressiono com as redes sociais. Simplesmente, é uma encenação virtual, e, também, aprendi a não me sentir um E.T. por ter optado pela solteirice, e, por não estar na caça. Simplesmente eu não tenho mais necessidade de estar na caça, e, pegar qualquer estrupício, para não passar o dia dos namorados em branco, como já me jogaram na cara isso! Ainda bem que no mesmo dia, eu me interessei por outro cara, e, não tenho pressa em reconquista -lo. Simplesmente, eu dei um jeito de me livrar do estrupício, o quanto antes. Foram seis longos meses, mas, tudo bem, adquiri experiência. Então a minha dica é: Não se intimide e nem se comova com essas datas comemorativas comerciais.

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