Será que um dia a gente deixa de ser trouxa?

Esses dias, estava eu trabalhando em meus freelas num sábado à noite, genuinamente feliz por estar trabalhando (já que estava sem dinheiro, sem celular e com garoa lá fora), e entrei no Facebook pra dar um tempo entre um texto e outro. Me lembrei de uma época da minha vida em que eu era meio apaixonadinha (tô sendo bem leve aqui, leia-se que a situação era mais grave eu tenho vergonha de admitir) por um cara. Eu tinha um sério medo de descer a timeline de notícias do Facebook e ver alguma foto dele 1) na balada, 2) numa balada que a gente costumava frequentar e sem ter me chamado ou 3) numa balada que a gente costumava frequentar, sem ter me chamado e com outra menina à tiracolo.

Esse era um temor que acontecia todo fim de semana em que a gente não se via, e durava desde a noite do sábado até a noite de domingo, com picos naquela primeira checada na timeline na manhã de domingo. Pior, era um temor que se concretizou algumas vezes.

Hoje, anos depois dessa fase, olhando minha timeline muito casualmente, lembrei disso e achei engraçado. Achei “que bom que o tempo passa”. Achei “que bom que a gente vê que nem era tudo isso”. Achei bom que agora posso ver minha timeline sem preocupações (inclusive a timeline tava bem vazia nesse sábado, acho que só eu tava online sendo inútil).

Mas daí, escrevendo sobre isso no Twitter (eu sempre falo groselha no Twitter antes de escrever mais amplamente aqui, me segue lá!), entendi que na verdade eu não tinha medo das fotos. Mais do que isso, eu tinha medo de sofrer e de fazer papel de trouxa. Aqui, em casa, enquanto ele tava lá, sem nem lembrar da minha vil existência.

O que eu não contei ainda é que, além de estar trabalhando e escrevendo este post aqui nesta madrugada gelada de sábado, eu também estava ouvindo “XO” na versão do John Mayer. E me peguei pensando num cara com quem eu tive o casinho mais breve da minha vida esse ano. Que nem é do mesmo país que eu. Que nem mora no mesmo país que eu. Mas que me deixou imaginando como poderia ter sido.

Ou seja, eu achava que tinha deixado de ser trouxa (pelo menos um pouquinho, vai). Mas acho que não. O amor realmente é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxa, e olha que às vezes nem amor é e nasce mesmo assim.

Será que um dia a gente deixa de ser trouxa? Vira o que depois disso? Blasé ou de boas com a vida? Quem acha que não é mais trouxa vive em negação ou realmente sobe um nível na humanidade (tipo Hércules, vira semi-deus)?

Eu sei lá. Criei aqui uma teoria de que, uma vez emitido, a gente nunca perde nosso papel de trouxa. O que acontece é que de vez em quando ele fica lá, guardado num arquivo, até ser transferido pro cartório de outra pessoa. E aí, quando dois trouxas decidem que tudo bem ser trouxa um com o outro, eles vão lá num juiz e pedem para o papel de trouxa virar lei.

E assim vivem. Oficialmente trouxas.

Ou então, quando a gente deixa de ser trouxa, a gente vira a Beyoncé

PS: Escrever esse post me lembrou essa música. Leia ouvindo e seu nível de trouxismo chegará próximo do meu.

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Uma opinião sobre “Será que um dia a gente deixa de ser trouxa?

  1. Deixa nada. A gente vai sempre se pegar pensando em baboseira sentimental, chorandinho pelos cantos com medo de deixar transparecer, imaginando o que poderia ter sido mesmo sabendo que nunca-nunquinha iria de ser. E eu acho isso bom. Triste é aquele que tem o coração duro ou que já é descrente do amor. Ser trouxa é bom, ruim mesmo é ser otária.

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