Decidi ser mais “menininha” por um ano e foi isso que aconteceu

Não me entenda mal, eu acho que sempre fui menininha. Quer dizer, eu nasci com uma vagina e ela tá aqui até hoje, então devo ser membro vitalício dessa categoria.

O menininha que eu quero dizer é quando sua mãe ou alguém que acha que tem alguma influência sobre você fala que você tem que se arrumar mais, se “empetecar” mais, parecer mais feminina, mais mulher, mais bonita, mais elegante, tudo isso junto.

Quando você não tem naturalmente um interesse por coisas e assuntos relacionados a aparência, rola uma pressãozinha pra entrar mais nesse mundo. Essa pressão pode vir – olha só que coisa – até de você mesma.

No começo de 2015, eu não estava na minha melhor fase. Tinha acabado de voltar de um intercâmbio e estava sem muita perspectiva de felicidade tanto na vida pessoal quando na profissional. Passei o mês de janeiro em casa, meio na depressão, descontando muitas vezes na comida. Resultado: 7kg a mais do que eu costumava ter.

Depois de ver as fotos desse período, resolvi que, se as mudanças na carreira e nos relacionamentos não dependiam só de mim, a mudança no meu corpo era a aposta mais certa a fazer.

Não rolou nenhuma resolução, nenhuma meta muito definida, mas de fevereiro de 2015 a este fevereiro de 2016, passei a ser mais “menininha”. A seguir, um pouco sobre as experiências que tive nesse período:

  • O primeiro e mais urgente passo era emagrecer. Comecei a tentar fazer dieta, passava toda semana no mercado e comprava coisas light. Gastava uma grana violenta, mas adorava comparar as calorias. Aliás, baixei um aplicativo que contava as calorias de tudo e dizia que, pra perder os kg que eu queria no tempo que eu queria, eu devia comer 1.100 kcal por dia. Esse negócio das calorias pode deixar a gente realmente meio bitolada (até hoje eu sei, por exemplo, que 10 uvas contêm 40 calorias).

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  • Comecei também a fazer academia. Eu sempre fui a pessoa que fugia e matava aula de educação física, então academia nunca pareceu uma ambiente muito legal de estar – ainda mais quando tem que pagar outra grana violenta pra estar lá. Acordava 6 da manhã, ia para as aulas, ia até duas vezes no mesmo dia.
  • Também me inscrevi na aula de pilates com o objetivo principal de: ficar durinha (um objetivo muito válido, por quê não?). Mas acabei achando as aulas fracas e tinha muita preguiça de ir toda semana. Sabe aquela coisa que você tem que se arrastar pra ir mesmo odiando só porque seu ascendente em capricórnio fica te lembrando que você pagou por essa bosta? Então.

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  • Agora é o momento em que eu te decepciono e digo que: projeto emagrecimento não funcionou. Na dieta, eu comia super pouco em um dia, me sentia orgulhosa. No outro dia, desandava, comia muito de algum doce e voltava ao mesmo peso. Mesmo com a academia, perdi um ou dois kg em 6 meses.

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  • Talvez a ansiedade tenha atrapalhado nesse processo. Eu tinha uma viagem marcada para a California em junho e queria ficar magra pra aparecer bem nas fotos. Não cheguei exatamente a este objetivo, mas mesmo assim tenho fotos que amo ❤
  • De volta de viagem e sem perspectiva de colocar biquíni tão cedo, as coisas começaram a andar melhor. Voltei pra academia, dessa vez fazendo só o que era mais confortável pra mim: aula de step e correr na esteira. Ia todo dia de manhã, me sentia bem.

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  • Voltei pra dieta também, dessa vez com uma técnica diferente: toda vez que pensava em comer demais ou comer algo que era muito gorduroso, eu pensava: eu quero mesmo comer isso e continuar mal com meu corpo? Ficava mais fácil dizer não. Também passei a comer mais salada e cortei a sobremesa (coisa mais difícil da vida).

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  • Olha só que coisa: dessa vez deu certo. Emagreci 4kg em um mês, dava pra sentir as roupas não mais apertadas. Os outros kg perdi sem nem notar. Não tô recomendando nada, não sou especialista, que fique bem claro. Apenas um relato pessoal.

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  • Continuando na transformação em “menininha”, comecei a investir na depilação à luz pulsada. Depilação é sempre um saco, mas pra quem tem pele facilmente irritável como a minha e não gosta de deixar os pêlos aparentes, é um milagre de Deus. Ok que é um dinheiro que eu poderia estar gastando com mil coisas mais legais. Ainda assim acho que compensa. Tô bem louca? Não sei.

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  • A surpreendente relação custo-benefício de beleza continua. Resolvi fazer progressiva. Eu tenho cabelo cacheado e não odeio, mas também não uso. Não acho prático, tenho muito cabelo, não quero lavar todo dia, não quero arrumar todo dia, não quero. Sou obrigada? Pra minha surpresa, muita gente achava que sim. Fui meio repreendida por amigas que achavam um absurdo eu não assumir meus cachos, ficar fazendo química. Entendo que hoje a gente conseguiu chegar em um ponto em que quem tem cabelo cacheado ou crespo tem muito mais orgulho do look natural, e isso é maravilhoso e certíssimo. Mas é errado eu escolher a praticidade em detrimento da minha genética capilar? Achei que não. Fiz e retoquei e tô bem satisfeita.

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  • Em 2015, usei mais salto no dia a dia do que em toda minha vida. Quer dizer, saltos de uns 5cm, mas já foi uma mudança. Usei sandália de saltinho pra ir pra balada e não senti dor no tornozelo (senti dor pelas 3 bolhas que ela me fez, mas vida que segue, bandaid na próxima vez).

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  • Tentei usar mais vestido e saia, nem que fosse só pra ir trabalhar. Um dia saí com um vestido rosa meio rodado, recebi elogios e até consegui um date com o cara que era meu crush. Coincidência? Não sei. Ótimo custo-benefício para um vestido que paguei R$ 30 na Forever? Com certeza.

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  • Passei a usar mais maquiagem no dia a dia. Sempre passei batom e um lápis no olho pra sair de casa, mas comecei a usar também primer, corretivo e às vezes um CC cream todo dia. Deu ruim: minha pele é sensível e seca, e eu não tava cuidando direito. Tive uma dermatite de contato fortíssima, minha cara ficou rosa durante dias, bem horrível. Fui obrigada a maneirar, deixar a make de lado por um tempo e investir em produtos pra saúde da pele.

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  • Aliás, comprar cremes e produtos para a pele era uma coisa que eu considerava supérflua e que vi que pode ser muito, mas muito necessária e benéfica. Demaquilante, hidratante, esfoliante e repelente são coisas que eu nem ligava e acabei incorporando forte na minha rotina.

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  • Pra terminar, sempre evitei ir em manicure/pedicure porque 99% tenho preguiça, prefiro dormir, e 1% tenho alergia a esmalte (sério, é uma sensação tensa, coça o rosto inteiro). Fui algumas poucas vezes para fazer o pé e gostei bastante. Quando fui fazer a mão, a manicure machucou TODAS as minhas cutículas e a situação tá péssima até agora.

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Enfim, ao final desse um ano, mudei mais do que eu poderia prever. Quando você é uma mulher mais desapegada desses valores de aparência, mais estilo Docinho das Meninas Super-Poderosas, às vezes rola uma tendência a acreditar que você é melhor que as outras por causa disso, que você tá melhor dentro da sua fortaleza de mulher durona.

Eu sou a prova de que às vezes não tá. Dentre as minhas experiências, algumas eu descarto totalmente, (como fazer a mão em salão ou contar todas as calorias ou passar muita maquiagem). Mas não porque são erradas. Não quero na minha vida porque não deram certo pra mim nesse momento, tô melhor sem isso. Outras me fizeram muito bem (como a depilação, a atividade física e a progressiva), quero manter e não me sinto inferior por assumir isso.

Acho que o que mais vale a pena ressaltar é que ser “menininha” não é (ou não deveria ser) o fator determinante nessas medidas em relação a aparência e nas resoluções que a gente toma pra tentar se melhorar. O que importa é a saúde do organismo e a auto-estima. E meio que só isso.

Portanto, aquele “isso que aconteceu” lá do título foi que eu não tenho uma opinião formada, um estilo definido ou uma posição consolidada sobre ser menininha ou não. Por mim cada um pode ser menininha, desleixadinha, hominho, ETzinho, o que quiser. Sendo de boa com o corpo que habita já tá ótimo.

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